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Consumo para um

O mercado de produtos para solteiros, ou pessoas que moram sozinhas, desperta a atenção da indústria, que aumenta cada vez mais a gama de itens oferecidos em porções reduzidas

Por Adriana Bruno

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Em 2010, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE, o Brasil incluía, em sua população, mais de 89 milhões de pessoas solteiras. Em 2017, uma pesquisa realizada pela Ipsos constatou que 54% da população do País se declara solteira, sendo Salvador, com 60%, e Belo Horizonte e Brasília, ambas com 56%, as cidades com maior concentração desse público. O estudo também apontou que 68% dos solteiros procuram manter uma alimentação saudável.

A gestora de marca da GSA, Ilana Ferreira, confirma essa tendência. “O número de pessoas que vivem sozinhas – divorciadas, viúvas com filhos adultos e solteiras – está cada vez maior no Brasil e no mundo. Segundo a pesquisa “10 Principais Tendências Globais de Consumo”, realizada pela Euromonitor Internacional, o número de residências com um único morador deverá crescer a uma taxa média anual (CAGR) de 1,9% na próxima década”, diz. No mesmo estudo, ela também revela que, até 2030, estima-se que haverá um aumento de 120 milhões de residências com uma única pessoa, o que corresponde a um aumento de 30% em relação a 2018.

“No Brasil, a tendência também é confirmada. Segundo o IBGE, em dez anos, o número de pessoas que vivem sozinhas cresceu de 10,4% para 14,6%. E, quando indagadas a respeito dos motivos de sua decisão para a mudança, disseram que queriam se sentir mais independentes (25%), mais livres (23%), e ter maior privacidade (50%). Com as mudanças do comportamento e do tamanho da família, surge um novo cenário de consumo: o consumo para um só”, informa Ilana.

São dados que demonstram o potencial de um mercado cheio de oportunidades para a indústria, o atacado e o varejo. A Abia – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos informou à reportagem da revista DISTRIBUIÇÃO que “a opção por morar sozinho está cada vez mais difundida no Brasil”. 

Segundo a Abia, para acompanhar essa tendência, notada em todo o mundo, a indústria brasileira de alimentos também passou a trabalhar com embalagens menores e porções individuais. De acordo com o estudo Brasil Pack Trends 2020, desenvolvido pelo Ital – Instituto de Tecnologia de Alimentos, instituição de pesquisa ligada ao governo do Estado de São Paulo, o aumento do número de residências com apenas uma pessoa e a vida urbana cada vez mais atribulada estão criando uma demanda por alimentos em porções menores ou individuais. Esse tipo de embalagem também permite que haja diferentes opções de consumo no caso de lares com mais de uma pessoa, ou seja, cada pessoa na residência pode escolher o que quer consumir.

PERFIL

Exigente e à procura de produtos e de maneiras para simplificar sua vida. Estas são, segundo Ilana Ferreira, características do perfil do consumidor single no Brasil. Segundo ela, esse shopper não é fiel a marcas, procura qualidade e está sempre atento à relação custo/benefício.

“A GSA já está ciente das mudanças do comportamento do consumidor e, por isso, tem trabalhado com produtos com custo/benefício bem definido e também com variações nas gramaturas, uma vez que esse conceito propõe a oferta de produtos em pequenas quantidades e em porções individuais de fácil preparo ou para consumo imediato. Nossos produtos em porções individuais, como macarrão instantâneo, sopão de 90 g, pipoca de micro-ondas, salgadinho e batata, fazem muito sucesso entre esse público”, conta Ilana Ferreira.

ILANA FERREIRA, gestora de marca da GSA

Outra característica desse público é a busca por informações sobre saúde, o que o leva a procurar, no ponto de venda, produtos que tenham o apelo de promoverem a saúde. “A Vapza sempre foi pioneira em alimentação prática. Nossos produtos são vendidos em duas porções de 250 g (porção individual). Hoje, contamos com a linha Single, criada e elaborada tendo em vista esse consumidor, e destinada a ele, que não abre mão de se alimentar bem e cuja consciência é mais ampla e mais responsável, inclusive com relação ao desperdício. Nossos alimentos são embalados a vácuo (dispensando refrigeração) e cozidos dentro da própria embalagem, dispensando o uso de aditivos e conservantes”, conta Rafael Hortz, gestor de Marketing da Vapza. 

Ele destaca que, com o aumento da velocidade da informação e a mudança na rotina, de maneira geral, é muito comum ver cada vez mais casamentos depois dos 30 anos, coisa que nas décadas de 1980 e 1990 eram até motivo de preocupação. “As prioridades mudaram, como o foco nos estudos e na carreira e a busca por uma rotina flexível, mas com metas, fazem com que naturalmente haja uma busca maior pela individualidade”, diz.

DO ATACADO PARA O VAREJO

Segundo uma pesquisa da EuroMonitor Internacional, os fatores que interferem na decisão de compra do consumidor single são: a) gosto por experimentar novos produtos e serviços; b) marcas em que já confiam e que conhecem; c) qualidade; e d) compra em locais que tenham selo de fidelidade e de produto ecológico. 

Em outras palavras, uma lição de casa que precisa ser feita tanto pelo atacado distribuidor como pelo varejo é a de investir no sortimento de marcas e produtos e, é claro, cuidar muito bem do abastecimento tanto dos pontos de venda como das gôndolas propriamente ditas, evitando rupturas. 

“O controle de estoque é fundamental para uma venda constante. Como se trata de itens com um giro agressivo, é preciso um abastecimento regrado para evitar rupturas. A execução na ponta de gôndola nos varejos também é um dos fatores essenciais para uma boa performance no ponto de venda. A GSA atua com vários SKUs dentro das linhas de Macarrão Instantâneo, Sopão e Refresco em Pó. A atenção voltada para o mix dos produtos para a venda faz a diferença no resultado final”, comenta Ilana. 

Como o consumidor está buscando produtos cada vez menos processados e mais naturais, Rafael Hortz orienta o setor atacadista para que invista em produtos bons e em porções menores.

RAFAEL HORTZ, gestor de Marketing da Vapza

“Quem não se adaptar está fora do target dos singles, que economizam em tudo, menos na saúde e no prazer de comer bem. Experiências são o foco desse tipo de consumidor”, finaliza.

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