Empresas garantem abastecimento 

por Rúbia Evangelinellis

No olho do furacão, tendo de se ajustarem à crise provocada pelo coronavírus e que derrubou a economia, as empresas do setor atacadista distribuidor adotam medidas de proteção aos colaboradores, clientes e para garantir o abastecimento. Como se estivessem em um tempo de guerra, avaliam e reveem procedimentos dia após dia, fazem ajustes na logística de atendimento e entrega e adotam medidas a curto prazo, até poderem visualizarem um cenário mais claro.

O grupo Super Nosso, formado por 33 lojas de varejo e 17 de atacado de autosserviço (Apoio Mineiro) na Grande Belo Horizonte e pelo Dec Minas (atacado de entrega que cobre 90% do Estado mineiro e 85% da Bahia) experimenta um momento de forte demanda e adotou as medidas preventivas para funcionários e nas lojas. São 8 mil funcionários, sendo que alguns estão em home office (da área de retaguarda) ou em licença (no caso de quem esta no grupo de maior risco e que atua na linha de frente em loja).

A empresa informa que está preparada para dar conta da demanda, mantendo inclusive uma operação continua de abastecimento para não deixar faltar produtos nas lojas. “Tivemos um forte aumento de vendas até sábado passado (21/3), vendo pessoas comprando para estocar. Não façam isso. Não vão faltar produtos. Temos estoque e as indústrias estão trabalhando para atender o mercado”, avisa Marcelo Branquinho, gerente geral de Marketing do grupo. No varejo e no cash&carry houve aumento de vendas de 50%. No e-commerce, o salto foi de 1.000% (concentrado no B&C), o que exigiu medidas emergenciais, inclusive de logística, com aumento de janelas de entrega (para uma semana ou 10 dias até aumentar a capacidade operacional) e frete grátis para quem tem acima de 60 anos.

Nildo Souza, diretor executivo da área de distribuição do atacado de entrega, com uma carteira de 17 mil clientes, explica que o movimento está acima do normal, sendo que, de 15 a 21 de março, superou a 60% a média histórica. “No primeiro momento, registramos uma compra generalizada do pequeno varejo, mas já fomos procurados até pelo grande varejo. Nossa carteira de pedidos chegou a R$ 10 milhões em um dia, o que representaria dois dias e meio a capacidade diária de expedição”, calcula.

Segundo informou, o volume de pedidos já recuou, mas permanece 30% acima da média, com previsão de se manter neste patamar até o 5º dia útil do próximo mês. O estoque médio, por sua vez, baixou de 56 para 38 dias. A empresa ampliou o prazo de entrega, mas garante que não existe falta generalizada de produtos, situação concentrada em sabonete líquido, álcool gel (maior escassez) e papel higiênico. E para dar conta do movimento, a Dec Minas mantém equipe de vendas treinada para atendimento on-line, uma vez que muitos estabelecimentos deixaram de atender os representantes pessoalmente e congestionam o SAC.

Já o grupo Fasouto, de Sergipe, atua em esquema de emergência para garantir o atendimento, o abastecimento e a proteção às pessoas (colaboradores) tanto na operação do atacado de autosserviço (são quatro lojas que comercializam cerca de 12 mil itens e têm 65% do público formado de empresas e transformadores) quanto no atacado distribuidor (cobre o Estado e tem um mix de cerca de 3 mil itens). 

Entre as providências tomadas, o diretor Juliano César Faria Souto explica que a empresa mudou o layout do escritório para obedecer a distância de dois metros entre os colaboradores, mantém as lojas sinalizadas para dar espaço entre os clientes nas filas e vídeos na internet para informar que o abastecimento está normalizado. “Procuramos adotar todas as medidas que consideramos necessárias para que possamos passar cautela que o momento requer. Também postamos matérias informativas, extraídas de órgãos oficiais, de recomendações para a população”.

Na sua opinião, o setor atacado distribuidor e de varejo alimentar tem, nesse momento, a responsabilidade de garantir ao consumidor e ao pequeno varejo de que não haverá desabastecimento. Ele acrescenta que as medidas são tomadas de acordo com as orientações governamentais. A Fasouto também estimula que os pedidos sejam feitos por ferramentas digitais, como whatsapp. “A orientação para a equipe de vendas externas é de manter o distanciamento social nas visitas, não participar de cotação com diversos vendedores em uma sala. Podemos até perder vendas, mas temos de pensar na saúde dos colaboradores em primeiro lugar.

Marcello Marinho, diretor da Rio Quality

Já a Rio Quality, que atua no Rio de Janeiro e tem a carteira de clientes concentrada em food service, também segue as medidas recomendadas na preservação da equipe de colaboradores. Marcello Marinho, diretor da empresa, explica que as vendas recuaram e que as medidas estão sendo ajustadas, como operação de guerra, sempre pensando até a próxima semana. “Todo o pessoal da área administrativa e comercial está trabalhando em sistema de home office. No time de entrega, estamos fazendo revezamento e afastamos doentes crônicos, com idade avançada e outros que estão no grupo de mais risco. Repensamos a operação e rotas para esse momento. Estamos prevendo queda de 50% no faturamento, vivemos uma fase de incertezas e aguardamos medidas econômicas para ajudar na sustentação dos negócios.”

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.