Nestlé adapta produção para driblar a crise e manter o abastecimento

Em meio à quarentena adotada em vários Estados brasileiros, por causa da pandemia da covid-19, a Nestlé segue em ritmo normal de produção, mas com alterações. A companhia, que no Brasil possui 25 fábricas, implantou o terceiro turno de trabalho em boa parte das linhas de produção. O objetivo é que os funcionários mantenham uma distância de segurança enquanto trabalham, entre outras medidas sanitárias adotadas nas últimas semanas.

Nas fábricas, nenhuma linha de produção foi interrompida. Nas áreas administrativas, foi adotado o trabalho remoto. Dos cerca de 30 mil funcionários da companhia no país, menos de 400 estão em férias agora. A Nestlé informou que não tem intenção de ampliar esse número.

“Como uma empresa de nutrição, entendemos que temos uma responsabilidade de abastecimento da população. Estamos focados em garantir o abastecimento, mantendo a operação segura para todos”, afirmou Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil.

Questionado sobre a discussão levantada nesta semana, de redução do prazo de quarentena para conter os casos da covid-19 para reaquecer a economia, Melchior disse que concorda com as instruções dadas pelo Ministério da Saúde. “O Ministério da Saúde tem adotado instruções técnicas e muito alinhadas com as melhores práticas sugeridas pela Organização Mundial de Saúde [OMS]. Estamos muito alinhados com eles. Não nos compete avaliar quando seria melhor mudar a quarentena”, afirmou Melchior.

A Nestlé adotou uma série de medidas para aumentar a segurança no ambiente de trabalho. Quem visita o prédio onde está o escritório central da empresa, em São Paulo, precisa responder a um questionário para avaliar o risco de estar infectado. Os crachás são limpos com álcool gel na frente do visitante, que é convidado a limpar as mãos da mesma forma. Um profissional mede a temperatura de todas as pessoas que entram no prédio, funcionários ou visitantes. Pessoas com febre não entram.

Essas medidas foram adotadas em todas as unidades da companhia, disse Melchior. No prédio, as pessoas mantêm uma distância de ao menos dois metros umas das outras. Nos refeitórios e vestiários da empresa, também é adotada a medida de distanciamento.

Os profissionais da área comercial, que precisam visitar pontos de venda, usam carro da companhia ou de aplicativos, evitando o transporte público. A empresa também antecipou a vacinação contra gripe para este mês.

A recomendação para os casos elegíveis é trabalhar de casa. Para isso, a empresa investiu no reforço da sua infraestrutura de tecnologia, segundo Melchior. Na sede da Nestlé, que comporta 2,3 mil pessoas, a frequência no escritório não tem ultrapassado 150 pessoas por dia. O próprio CEO disse que vai ao escritório poucas vezes na semana.

Mesmo de casa, a rotina tem sido intensa, segundo Melchior. A Nestlé criou um grupo para decidir a forma de atuação da empresa durante a pandemia. Às 8h da manhã, Melchior, todos os vice-presidentes e diretores da Nestlé Brasil fazem uma reunião on-line para avaliar o dia anterior, novas determinações de governos e da OMS, medidas que precisam ser implantadas na empresa ou mudanças na produção. Em seguida, os executivos reúnem-se também virtualmente com suas equipes e repassam as instruções.

De acordo com o CEO, decisões de produção, que antes eram definidas com antecipação de um mês ou mais, agora são avaliadas diariamente. “Existe uma grande preocupação com o abastecimento. Estamos presentes em 99% dos lares brasileiros e existe agora um grande estresse emocional. A falta de produto nas lojas pode causar um estresse maior. Estamos trabalhando 24 horas por dia para garantir que todo o varejo esteja abastecido”, afirmou.

Nos últimos dias, por exemplo, a Nestlé aumentou a produção de leite em pó, farinha láctea e Mucilon para atender a demanda mais forte no varejo. Também aumentou a produção de suplementos alimentares e dieta enteral para o setor de saúde. Melchior disse que a companhia tem realocado pessoas dentro da empresa para ajudar em áreas sobrecarregadas. Isso foi feito, por exemplo, com parte das 2 mil pessoas contratadas de forma temporária para atuar como promotores de vendas de ovos de Páscoa, segundo o executivo.

O CEO da Nestlé Brasil disse que 99% dos clientes varejistas seguem funcionando normalmente. E ainda não houve pedidos para estender prazo de pagamento, adiamento de encomendas, nem calotes.

Em relação à produção, a Nestlé informou que tem recebido normalmente as matérias-primas. “Se há falta de embalagem, por exemplo, porque algum município decretou a paralisação das indústrias, conversamos com o governo local. Até agora, temos conseguido o apoio dos governos. Há um entendimento de que o setor de alimentos não pode parar”, afirmou o executivo.

Melchior considera difícil prever quanto tempo vai durar a pandemia no Brasil. Por enquanto, a companhia suspendeu alguns investimentos em novas linhas de produção de cafés e chocolates, para evitar a paralisação de parte das fábricas enquanto as obras são feitas. “A intenção é não parar”, resumiu Melchior.

Fonte Valor Econômico
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