Vigor para novos desafios

por Rúbia Evangelinellis

A experiência obtida em 50 anos de vida, permeados por momentos de crise econômica – o que exigiu dela um bom jogo de cintura para manter-se firme na gangorra do mercado –, proporcionou à Zamboni tanto a maturidade como o vigor de que ela necessitava para encarar novos desafios. Com os olhos voltados para o gráfico de negócios, a direção da empresa quer comemorar seu cinquentenário da melhor maneira possível: fechar 2020 com um crescimento real de 5% e repetir a dose em 2021.
Com um faturamento de 573 milhões de reais, obtido em 2019, e uma equipe de 400 funcionários diretos e mil indiretos, a estratégia traçada pela Zamboni consiste em ganhar mercado em um território onde já pisa e estender suas operações para novas praças. Por enquanto, atende o Rio de Janeiro e parte do Espírito Santo. Mas sua ideia é avançar no Estado capixaba (que hoje representa 20% de sua carteira de clientes) e fincar bandeira no sul da Bahia, assegurando aos clientes entrega rápida, em 48 horas no máximo.

De olho no relógio e sabendo que precisa implantar um posto avançado para cumprir a promessa de entregar os pedidos no prazo combinado, a Zamboni prevê a instalação de um centro de distribuição na Grande Vitória/ES até dezembro, o qual deverá ter entre 5 e 10 mil metros quadrados. Será o segundo CD em atividade, sendo que o primeiro está instalado em Xerém, no município de Duque de Caxias/RJ, onde concentra a operação do grupo.
Há também um CD em Além Paraíba, em Minas Gerais, de 30 mil metros quadrados, que funciona atualmente apenas como ponto de apoio para distribuição e expedição de mercadorias pela região serrana e norte do Estado do Rio de Janeiro. Como a direção da empresa segue a rota carioca, e capixaba, e quer chegar à Bahia, a Zamboni está negociando o espaço ocioso para locação como condomínio industrial. A ideia é comercializar o espaço para, no máximo, cinco empresas de grande porte.

VENDENDO LEITE

Eleita várias vezes como a melhor distribuidora do Estado do Rio de Janeiro, prêmio outorgado pela ABAD, tem à frente Alencar César Martins Zamboni, sócio-fundador e empreendedor nato. Ele criou o grupo a partir do zero. Começou vendendo leite pasteurizado em uma carrocinha de tração animal, de porta em porta em Além Paraíba. Assim foi conquistando sua clientela, ganhando fama e passando a oferecer outros produtos. Desde essa época, a empresa expandiu e diversificou suas operações, mas sempre mantendo o foco no canal indireto. Porém, é preciso destacar que o respeito à origem do negócio é traduzido até hoje pela exposição da carrocinha – na versão original em Além Paraíba e com a réplica exibida no CD de Xerém, no Rio de Janeiro.
Atualmente, o grupo divide o atendimento em três áreas. Em uma delas, atua como Distribuidor Especializado Categorizado, com venda fracionada de produtos de higiene e beleza, que permite maior aproximação junto ao varejo especializado, com a ação de promotores em pontos de venda. A segunda área é uma divisão que trabalha com um portfólio formado por alimentos e produtos de limpeza, com 200 representantes comerciais autônomos cobrindo o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. A terceira divisão presta atendimento exclusivo à Unilever, como distribuidor do programa Loja Perfeita, atendimento viabilizado por mais de 90 profissionais, que incluem representantes comerciais e promotores. Essa divisão presta consultoria e exige um trabalho analítico.

LOGÍSTICA

Com uma área de 22 mil metros quadrados, o CD de Xerém mantém ativa uma logística que atende um volume superior a 32 mil pedidos por mês e realiza cerca de 1.500 entregas.

Hoje, a Zamboni apresenta-se como um atacado distribuidor de grande porte. Sua carteira tem cerca de 10 mil clientes atendidos a cada mês, sendo que 80% deles estão no Estado do Rio de Janeiro e 20% no Espírito Santo. Comercializa um mix com cerca de 3 mil itens de 200 fornecedores.

A maior parte dos estabelecimentos atendidos pela Zamboni tem até seis checkouts. Os pequenos e médios varejistas representam 80% das vendas efetuadas pelo canal alimentar, que, por sua vez, responde por 70% dos negócios do grupo. Outros 30% incluem as vendas geradas no canal fármaco.

Indagado sobre como vê hoje a empresa que criou há anos, Alencar Zamboni resume sua trajetória em duas palavras: superação e dedicação. “Iniciamos nossos primeiros passos em 1970, com a venda de leites e derivados porta a porta. Graças a um monitoramento consciente, conseguimos obter um crescimento gradativo e contínuo”, diz.

Entre as lembranças de desafios que enfrentou e de conquistas que obteve, o empresário cita os prêmios ganhos no decorrer desse ano, 1988, quando se tornou integrante do grupo de DECs, o que o levou a criar a divisão Zamboni Cosméticos.

“Porém, como o empreendedor brasileiro não se cria apenas com conquistas, não faltaram desafios e reinvenções em nossa trajetória. Passamos por mudanças em planos econômicos e por momentos de incerteza no setor de consumo alimentar, com variações de até três dígitos em apenas um dia”, observa.

Para ele, o empresário brasileiro tem de enfrentar questões que esbarram em desafios diários, como um sistema tributário que permite guerras fiscais entre Estados vizinhos no setor. “A alta taxa de violência no Estado do Rio de Janeiro é outro fator que nos impõe desafios.”

REINVENÇÃO

De olho no futuro, com base no que se observa hoje no ambiente de negócios, ele explica que a empresa, mais uma vez, passa por uma reinvenção de estratégias, buscando uma distribuição “pulverizada” com foco na excelência para atender o pequeno e médio varejista. “A tecnologia é nossa aliada no processo de empreendermos novos negócios, pois estamos acreditando muito nos projetos digitais.”

A empresa investe em plataformas digitais, com operação de e-commerce B&B prevista a partir deste mês de agosto. “Estamos estudando alternativas para atuar também como B&C”, acrescenta Pedro Henrique Salles, diretor-executivo que atua próximo ao presidente Alencar.

Ele ingressou no grupo em outubro em 2019. A princípio, para ajustar as contas e avaliar procedimentos operacionais, mas acabou assumindo a diretoria financeira, a de operações e a comercial.

Segundo informou, foram feitas reestruturações estratégicas para a obtenção de rentabilidade, agilidade nas decisões e nas entregas, e redução de burocracias internas. “A operação serviu para enxugar a máquina, rever fornecedores e mix, e voltar à essência do grupo, de oferecer praticidade e rapidez. Trabalhamos para resgatar o DNA familiar”, diz o executivo.
Com os ajustes realizados nos campos operacional e financeiro, a Zamboni tem por objetivo atuar cada vez mais como distribuidor (e menos como atacadista), a fim de concentrar esforços no aumento da rentabilidade. E, segundo Pedro Salles, a máquina já está 100% azeitada para decolar em 2020 e 2021.

Diante de um cenário que remete a um novo normal, ainda apresentado em forma de esboço, uma vez que a flexibilização do isolamento social ocorre em etapas e regionalmente, Pedro Salles entende que essa cultura de maior preocupação com a higiene pessoal, que potencializa produtos antibactericidas, veio para ficar.

Esta reportagem é parte do conteúdo publicado na edição de agosto da Revista DISTRIBUIÇÃO.
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