Uso do cofre inteligente cresce no setor
A crescente expansão do modelo de comércio atacarejo no Brasil — marcada pelas despesas em dinheiro e pelo fluxo intenso de mercadorias — está impulsionando a adoção de cofres inteligentes por redes atacadistas e distribuidores. Segundo levantamento da Sesami, a demanda por esse tipo de solução cresceu cerca de 20% no último ano, refletindo a urgência de modernização da segurança, rastreabilidade e controle de caixa no segmento.
“Com o crescimento do atacarejo, especialmente em regiões onde o pagamento em espécie ainda predomina, como o Nordeste, os cofres inteligentes deixam de ser um diferencial para se tornar uma necessidade imediata de negócio”, afirma Hailton Santos, diretor Comercial da Sesami.
Atacarejo cresce com força
O atacarejo segue em franco crescimento. Dados recentes mostram que o setor distribuidor faturou R$ 443,4 bilhões em 2024, com variação nominal de 9,8%. Além disso, sua participação no mercado alimentar nacional passou de 52,5% em 2023 para 53,7% em 2024, o melhor resultado desde 2016.
Para muitos atacadistas, o crescimento da demanda vem acompanhado de desafios operacionais, entre eles, o elevado uso de dinheiro vivo pelas revendas e pequenos compradores, e o risco maior de perdas por furtos, trocas de notas e falta de rastreabilidade. “O atacarejo exige gestão técnica porque opera com alta rotatividade e grande volume de caixa. Ter o dinheiro armazenado com segurança é fundamental para preservar margem e rentabilidade”, explica Santos.
Nesse contexto, os cofres inteligentes surgem como ferramenta estratégica para garantir segurança e rastreabilidade dos valores recebidos em dinheiro, evitar furtos internos ou externos, automatizar a contagem e registro de recebimentos e reduzir a dependência de processos manuais.
Dinheiro ainda relevante
Embora os meios digitais cresçam, o pagamento em espécie continua forte em regiões com menor bancarização ou com predominância de pequenas revendas e comércio de proximidade — características marcantes no Norte e Nordeste do Brasil, segundo Hailton Santos. Em muitas dessas localidades, o atacarejo se tornou o canal preferido para compras em volume, abastecimento de mercadinhos e reposições rápidas.
Para atender essa demanda, atacadistas da região têm registrado crescimento expressivo no número de coletas de dinheiro por dia, o que aumenta a exposição a riscos de perda, roubo e falhas operacionais. A adoção de cofres inteligentes tem se mostrado decisiva para garantir segurança e eficiência operacional nessas realidades.
Segundo Santos, esse movimento já é mais perceptível nas redes que atuam no Nordeste — e tende a se ampliar com o aumento da penetração do atacarejo nessas áreas, e com a manutenção do hábito de pagamento em espécie por parte de muitos compradores.