Saiba quais são os desafios para o consumo em 2020

por Rúbia Evangelinellis

Os economistas projetam para 2020 um quadro de grande retração que tem por causa o impacto da pandemia somado à crise política. A previsão é de um PIB negativo mais de 5%, baseado nas estimativas do mercado financeiro e divulgado em maio.
Eduardo Terra, especialista em varejo, traça um cenário do mercado consumidor considerando o atual isolamento social, a fase pós-quarentena (de três a seis meses) e o futuro (no médio ao longo prazo), quando se espera a normalização sanitária e o surgimento da vacina ou remédio de combate ao Covid-19.

A primeira mudança perceptível, acrescenta, é a digitalização da distribuição e do consumo. “Como as pessoas têm medo de ir ao varejo físico, acredito que no curto prazo ainda teremos esse movimento de compra digital. Somente depois que os problemas sanitários forem resolvidos será possível avaliar se o hábito do e-commerce permanecerá”, ressalta, destacando que até mesmo os varejistas passaram a comprar mais pelos serviços on-line do canal indireto.

Além de acelerar o processo de digitalização de cinco anos para cinco meses, destaca, o Covid-19 reforçou a preocupação com a saúde e a limpeza. E mudou a cesta de compra dos brasileiros, inclusive a cesta de alimentos, uma vez que a refeição fora de casa foi substituída pela comida caseira.

Terra reconhece que houve mudanças de desempenho de canais de vendas e na rota de negócios do canal indireto. A previsão é de encolhimento de bares e restaurantes, paralelamente ao crescimento do varejo tradicional, até outubro. “O atacado distribuidor, que atende o food service, terá de se reinventar. Vejo inclusive o atacado de autosserviço, que vende para transformadores, perdendo força. E como não há sortimento completo, também acaba inibindo as vendas para pessoas que evitam circular pelo varejo.” Para o especialista, o momento favorece o varejo de vizinhança com portfólio completo. Mas, a rebote da crise econômica, prevê dificuldades no caixa do pequeno varejo por causa da dificuldade de obtenção de crédito.

Nuno Fouto, coordenador de pesquisa do Provar, lembra que a economia caminhava em ritmo de recuperação lenta, mas sustentável, e retomando as privatizações. A partir do combate à pandemia, o jogo mudou e recursos públicos foram usados em situações emergenciais, sem licitação, abrindo brecha para más compras e desvios de verbas.

Por sua vez, a liberação do auxílio emergencial em parcelas de 600 reais para a população de menor renda é considerada como medida assertiva e que tem reflexos no mercado de consumo. O economista entende, porém, que, uma vez ultrapassada a fase de apoio do setor público à população, caberá ao governo adotar a disciplina fiscal. “Creio que em 2021 será possível adotar o ajuste fiscal e voltar às privatizações. O Brasil tem potencial para atrair investimentos.”

Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, ressalta a intensa retração do comércio. “De 15 de março ao fim de abril, o setor perdeu 106 bilhões de reais, sendo 85% em segmentos considerados não essenciais, de lojas fechadas. O valor equivale à metade do que o varejo vende em um mês.” Ele estima que, por causa da retração, o setor deverá continuar a sofrer perdas significativas até junho.

A ABAD divulgou ontem (28), em coletiva à imprensa, os resultados do Ranking ABAD/Nilsen 2020. O estudo completo foi publicado na edição deste mês da Revista Distribuição.

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

DB DigitalReceba no seu email

DB DigitalReceba no seu email