O futuro ao consumidor pertence

Por Adriana Bruno

Em um cenário econômico e especialmente político tão confuso como o que o Brasil está vivendo é difícil falar sobre futuro ou expectativas para o futuro. Mas ainda assim, de forma bastante lenta, é possível se observar um gradativo aquecimento no mercado, mudança que começou no segundo semestre deste ano, segundo o economista, professor e especialista em varejo, Nelson Barrizzelli. Segundo ele, esse é um indicativo de que em 2020 o mercado possa, talvez, reagir de maneira um pouco mais rápida do que conseguiu até agora. “”Um dos maiores problemas que estamos enfrentando é o nível de desemprego. São mais de 35 milhões de pessoas sem trabalho ou com empregos precários que não lhes permite atender nem o seu consumo básico. O governo anunciou que irá fazer esforços especiais para aumentar o nível de emprego, especialmente entre os jovens e pessoas com mais de 55 anos que acabam sendo mais penalizados ou sendo deixados de lado na busca por uma colocação. Então, se o governo conseguir mostrar à população que vale a pena fazer um esforço de troca (menos direitos e mais emprego) a retomada do consumo pode ser melhor do que temos observado até agora”, comenta Barrizzelli.

Canais de compras

Uma das grandes movimentações vividas pelo varejo alimentar no último ano foi o crescimento do atacarejo ou cash & carry. Barrizzelli confirma o desempenho superior desse modelo de loja em relação ao atacado tradicional e também às lojas de redes e até de vizinhança. O cash & carry atende às compras de estoque. Mas uma notícia recente nos mostra que as lojas de vizinhança começam a dar sinal de que seus resultados podem melhorar. Isso porque elas não trabalham com estoque, as compras são mais de reposição. E, na medida em que as pessoas voltarem a trabalhar terão menos tempo para grandes compras de estoque mensal e diante desse cenário é possível que as lojas de vizinhança tenham um desempenho melhor do que as de rede”, avalia Barrizzelli.

O economista ainda destaca que as lojas de vizinhança têm a seu favor os baixos índices de ruptura em relação às lojas de rede. “Hoje as grandes lojas de rede estão com índices de ruptura de estoque como nunca tiveram. Falando de uma experiência pessoal, eu vou ao hiper com uma lista com 10 produtos e encontro apenas cinco. Se as lojas de vizinhança olharem com atenção para essa questão deverão crescer ainda mais e para isso elas precisar de uma boa comunicação com seus fornecedores que são os atacadistas distribuidores”, comenta Barrizzelli.

Nelson Barrizzelli, economista, professor e especialista em varejo

Ainda de acordo com ele, há 10 anos os hipermercados vem demonstrando grande fraqueza em termos de crescimento e com isso o atacarejo ganhou terreno, substituindo esse canal na preferência do consumidor. Um cenário que só poderá mudar quando a economia reaquecer. “Com a economia voltando as lojas de vizinhança e as redes serão beneficiadas. Neste momento o cash & carry atende as camadas da sociedade que, apesar de tudo, fazem compras de estoque”, avalia.

A escalada do e-commerce

É inegável que o e-commerce já faz parte da rotina de compras de muitos brasileiros, especialmente entre aqueles com maior familiaridade com o uso de tecnologias. Para Barrizzelli, esse grupo será o responsável por trazer mais demanda aos canais de compras online e não necessariamente apenas para o segmento de alimentos, higiene pessoal e beleza. “Há alguns segmentos que ainda terão mais dificuldade para se estabelecer, como o de vestuário, por exemplos. No Brasil há uma grande dificuldade em comprar roupa via e-commerce porque o risco da peça não servir existe e o cliente tem que efetuar a troca. Mas já existem iniciativas como a de um site onde o cliente escolhe as peças que gostou e as recebe no dia seguinte para provar. Depois ele paga, via e-commerce o que quiser comprar e dias depois a empresa retira o que não foi adquirido”, conta.

Para Barrizzelli, no segmento alimentar as compras via e-commerce ainda enfrentarão uma mudança cultural e no comportamento do consumidor. “O brasileiro gosta de tocar, experimentar, escolher, especialmente alimentos frescos como frutas, verduras e frios. Mas o fato é que o mundo virtual vai invadir a nossa vida cada vez mais e quem não se preparar para isso vai ficar na rabeira do mercado”, alerta. Segundo ele, isso não deve acontecer nos próximos dois ou três anos, mas também não deverá demorar e quando acontecer será algo que começa e chega a uma posição de forma rápida. “Mas tudo vai depender do tempo de amadurecimento tanto por parte dos canais como dos consumidores”, diz.

Para Barrizzelli, buscar formas de se tornar multicanal pode ser a única solução para muitos segmentos do varejo a longo prazo. “As lojas físicas precisarão se adequar a uma séria de mudanças para acompanhar também a loja virtual. Compras por telefone, quiosques onde o consumidor possa ter acesso a todos os produtos da loja virtual, comprar e receber depois em casa são alguns exemplos do que pode ser feito. Há várias opções para se tornar multicanal e hoje, no Brasil, o maior exemplo que temos é a Polishop, que atua em todos os canais possíveis para atender o consumidor e é, sem dúvida, um exemplo a ser seguido”, finaliza.

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