Cargill vê o Brasil como fornecedor confiável na crise

A decisão de alguns países de restringir exportações agrícolas para assegurar o abastecimento interno de alimentos durante a crise provocada pelo coronavírus pode ser uma oportunidade para o Brasil se apresentar como um fornecedor global “confiável”.  Essa é a visão da Cargill, maior empresa de agronegócios do mundo, que não vê riscos ao abastecimento interno e está mantendo suas projeções de crescimento no país para este ano, apesar de todas as turbulências.

“Não temos necessidade de contingenciar exportação. Isso dá uma confiabilidade para o país que vai trazer vantagem competitiva no futuro”, disse Paulo Sousa, presidente da companhia no Brasil. Nos últimos dias, importantes exportadores de grãos, como Rússia e Ucrânia, e de outros alimentos, como Índia e Vietnã, decidiram restringir seus embarques, o que levou autoridades internacionais a defender a preservação do comércio agrícola no mercado internacional.

Outros países, sobretudo na Europa, estão enfrentando problemas para encontrar mão-de-obra para cultivar e colher alguns produtos após fecharem fronteira com países onde vivem seus trabalhadores sazonais. Mas Sousa acredita ser pouco provável que essa situação perdure por muito tempo, a ponto de direcionar a demanda dessas nações para a oferta brasileira. “Se acontecer, pode ser em carnes, com mais demanda por aves e suínos brasileiros”, afirmou.

Com a busca dos países por abastecimento, fortes embarques do complexo soja para abril e maio já estão garantidos, disse. Nesse ritmo, a Cargill ruma para mais um forte ritmo de vendas neste ano. Em 2019, a companhia originou, processou e comercializou mais de 37 milhões de toneladas do complexo soja, avanço de 18%.

Até agora, uma das poucas atividades da Cargill que sentiram as mudanças no perfil de consumo foi a de ingredientes para o setor cervejeiro. “Os ingredientes que vendemos ao setor, por alterações no processo, podem ser usados para outros fins. Podemos alocar capacidade para produtos com demanda normal.”

E se a redução da demanda por carne vermelha afeta vendas de rações para bovinos, a migração do consumo para aves e suínos favorece o negócio de rações da Cargill, mais voltado a esses dois mercados.

Outro efeito das medidas contra o coronavírus foi a paralisação das obras da fábrica de pectina em Bebedouro (SP), mas que devem ser retomadas quando a construção civil voltar a operar.

Fonte Valor Econômico
Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

DB DigitalReceba no seu email

DB DigitalReceba no seu email