“As empresas que lideram a transformação digital têm potencial para crescer até cinco vezes mais do que a média do mercado”, afirmou Luiza Marques, da Bees, na abertura do painel promovido pelo Comitê de Inovação e Tecnologia da ABAD durante a 44ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto, realizada entre 16 e 18 de junho em Atibaia (SP).
O dado, oriundo de uma pesquisa da consultoria McKinsey, reforçou o argumento de que a digitalização oferece inúmeras oportunidades para o setor. “Transformação digital não é só sobre tecnologia; é sobre mentalidade, processos e cultura”, completou Luiza, antes de apresentar os debatedores Maria Cabral Barbaro (Mtrix) e Roberto Matsubayashi (GS1 Brasil).
Na sequência, Jason Lambert, também da Bees, compartilhou sua experiência no setor de distribuição norte-americano. Em uma apresentação aprofundada, ele explicou que os ciclos de inovação estão cada vez mais curtos, exigindo adaptação constante das empresas. “É muito fácil ignorar novas tecnologias para continuar fazendo o mesmo. Precisamos observar esses ciclos e aplicar a inovação de forma estratégica para impulsionar o crescimento dos negócios”, destacou.
Assim como outros painéis da convenção, o foco também recaiu sobre a experiência do cliente. Lambert apresentou um estudo de caso da Bees com varejistas brasileiros, que revelou demandas por previsibilidade, entrega completa e visibilidade sobre promoções. “As pessoas são o ponto mais importante. Um representante comercial bem conectado sabe tudo sobre o cliente, até o time de futebol para o qual ele torce”, disse.
Com as tecnologias certas, hoje é possível mapear a performance do ponto de venda e personalizar cada visita. “O poder da personalização é gigantesco”, concluiu.
Na segunda parte do painel, Mtrix e GS1 Brasil apresentaram cases de sucesso. Maria Cabral Barbaro ressaltou que “tecnologia não é mais vantagem competitiva, é pré-requisito”. Segundo ela, a transformação digital só acontece quando as empresas olham para suas pessoas e seus processos. “Projetos com grandes investimentos fracassam quando não lidamos com a resistência às mudanças. Muitos profissionais veem a tecnologia como ameaça”, observou.
Já Roberto Matsubayashi, da GS1 Brasil, relembrou como a padronização do código de barras revolucionou o varejo e a indústria. Para ele, o futuro está na gestão de dados combinados com inteligência artificial. “Com dados bem estruturados, conseguimos melhorar a operação e tomar decisões mais estratégicas. Mas é preciso mudar a mentalidade da empresa para isso”, disse.
Encerrando o painel, Leonardo Miguel Severini, presidente da ABAD e da UNECS, reforçou: “as empresas precisam ter o hábito de pensar digitalmente. E, para isso, precisam começar. Se empresas são formadas por pessoas, temos que enxergá-las como trens que se movimentam em blocos. Afinal, não adianta a locomotiva partir deixando os vagões para trás”.
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