“Boom de vendas já passou”, diz Luiz Gastaldi Junior

por Rúbia Evangelinellis

O empresário Luiz Gastaldi Junior, sócio fundador da Mercantil Nova Era, que atua com as operações de atacado com entrega e de autosserviço na região Norte, acredita que já passou o boom de vendas provocado pelas medidas de combate à Covid-19.

Na média, as 8 lojas de atacado de autosserviço do grupo (4 em Manaus, 3 em Porto Velho e 1 em Boa Vista) apresentaram aumento de vendas entre 12% a 15% de 10 a 26 de março. A alta foi puxada por alimentos (principalmente da cesta básica) e produtos de limpeza, que apresentaram incremento de 25% a 30%. Já bebidas e produtos de bazar registraram queda.

Mas desde o dia 27 de março, segundo informou, as vendas nas lojas recuaram a ponto de ficarem até um pouco abaixo do volume normal, de 2% a 3%, com base no montante contabilizado no fim de cada mês.

Embora assegure que não houve remarcação de preços durante o pico de vendas, o empresário explica que a empresa teve de abrir mão temporariamente de algumas promoções, diante da incerteza de como seria a reposição: “Mas, agora, com o movimento normalizado, acredito que as ofertas também voltem”.

Segundo informou, a Nova Era já vinha apostando em um estoque maior, preventivo, para 70 dias (o normal seria de 55 a 60 dias), porque projetava aumento de consumo para 2020 e não queria correr o risco de ficar sem mercadorias, com rupturas. Vale destacar que o abastecimento na região Norte é mais demorado, sujeito a intempéries, e feito por navio e terrestre.

Luiz Gastaldi Junior, sócio fundador da Mercantil Nova Era

“Como estávamos prevendo aumento de consumo para outros meses, não faltou mercadoria, nem o sabonete. A única exceção foi álcool em gel, Não tínhamos como prever essa avalanche de vendas. Tanto que vendemos 50 mil unidades em cinco dias, volume que demoraríamos quatro meses para comercializar no atacarejo e no atacado de entrega”.

O grupo comercializa no atacado de autosserviço 12 mil itens. Do público que atende nas lojas, 35% são pessoas jurídicas e a grande maioria (65%), consumidores finais. O tíquete médio de vendas é de 120 reais. No atacado com entrega, percorre três estados: Rondônia. Amazonas e Roraima, mais de mil quilômetros, para abastecer cerca de 6 mil pontos de vendas (pequeno e médio varejo), com um portfólio de 5 mil itens, sendo que cerca de 2 mil produtos puxam as vendas.

A empresa também adotou home office e afastou funcionários enquadrados em grupo de risco.

Para a equipe de campo, a orientação é que evitem ambientes com movimento de pessoas. “O fato é que cliente gosta da presença do vendedor, quer que ele olhe o estoque, faça sugestões. Têm muitos pequenos varejistas que ainda não aderiram à tecnologia, à venda pela internet”.

Em relação à pressão por reajuste de preços, por parte dos fornecedores, Gastaldi vê um movimento pontual, dos laticínios, para leite in natura. “O produtor não subiu o preço, o que não justifica o reajuste”.

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