ABAD participa de teleconferência com Ministro da Economia

Por Cláudia Rivoiro e Ana Paula Alencar 

O presidente da ABAD, Emerson Destro, participou na tarde deste sábado (4) de uma teleconferência com o Ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes da UNECS – União Nacional das Entidades de Comércio e Serviços. O ministro garantiu que estão sendo tomadas todas as medidas emergenciais para que se consiga atravessar o que ele chamou de duas “grandes ondas”. A primeira com o enfrentamento das questões de saúde, e a segunda, com o impacto econômico da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Segundo ele, o governo federal já está estudando uma maneira de retomar as atividades econômicas com segurança quando não for mais preciso manter o estado de isolamento social decorrente da pandemia. A ideia é fazer testes massivos nos trabalhadores para que quem esteja saudável possa voltar a trabalhar. Mas frisou: isso só deve ser implementado quando o Ministério da Saúde liberar a volta da circulação das pessoas nos centros urbanos.

“Já estamos nos preparando, pensando lá na frente. Justamente em ter em massa, que funciona, ajuda para quando começamos a furar a segunda onda da economia. É o passaporte da imunidade. As pessoas vão sendo testadas, pode ser semanalmente, e quem tiver livre continua trabalhando. E aí fazendo teste pode ir girando a economia, mas lá na frente. Eu repito: estamos em isolamento social, sob coordenação do ministro [Henrique] Mandetta”, afirmou o ministro.

Guedes solicitou às empresas e aos consumidores brasileiros que se mantenham unidos, de forma virtual, quando se trata de economia. Para isso, pediu que contas como as de luz e telefonia continuem sendo pagas, que os consumidores continuem movimentando os restaurantes e as lojas locais por meio do delivery e defendeu o uso das medidas de manutenção do emprego que foram anunciadas pelo governo.

Os empresários que participaram da teleconferência concordaram com Guedes, mas pediram o reforço e o aprofundamento das medidas de enfrentamento à crise que vêm sendo anunciadas pelo governo – medidas que, segundo Guedes, já somam R$ 800 bilhões e vão levar o déficit brasileiro a 6% do PIB.

“A preocupação dos empresários brasileiros é de que os números apresentados pelo governo para atender as empresas não sejam suficientes. Além disso, que não cheguem à maioria das empresas, que não estão capitalizadas para fazer frente a esse pandemônio econômico”, alertou o presidente da Unecs, George Pinheiro. Guedes prometeu, então, aprofundar essas medidas, sobretudo ampliando o crédito e direcionando esse crédito para as empresas que mais precisam.

O presidente Emerson Destro expôs ao ministro que o setor atacadista distribuidor, que abastece mais de cinco mil municípios brasileiros, está com o seu estoque regulado e bem suprido pelas indústrias. “Apesar do trabalho que estamos realizando, o setor já sofre os efeitos da crise e pressente que vai enfrentar problemas lá na frente. A minha pergunta é se há uma luz no fim do túnel, se o governo já estuda uma data para encerrar o período de restrição de circulação”, indagou.

O ministro respondeu que estão trabalhando para voltar a uma vida normal, mas não há prazo ainda estimado. “Agora estamos no período de hibernação, mas temos que manter os serviços essenciais em funcionamento. A preocupação é não deixar o sistema econômico colapsar. Não faltará dinheiro para os menos favorecidos, e nem para os empresários seja ele pequeno, médio ou até mesmo grande. Com o passaporte da saúde que deverá ser implantado, os jovens serão os primeiros que voltarão a suas rotinas normais”, disse.

Ele ainda anunciou a formação do Comitê de Emergência para Assuntos de Varejo, um grupo de trabalho com representantes do setor de comércio e serviços e membros da equipe econômica. O presidente da Unecs será o responsável por indicar os participantes das entidades e agendar as reuniões, sendo a primeira já na próxima semana.

Além do presidente Emerson Destro, participaram do encontro virtual o presidente George Pinheiro, presidente da CACB e da Unecs, como moderador, e os presidentes da Unecs: José Cesar (CNDL), Zenon Leite (AFRAC), João Sanzovo (ABRAS), Glauco Humai (ABRASCE), Nabyl Sahion (ALSHOP), Paulo Solmucci (ABRASEL) e Geraldo Defalco (ANAMACO). Também estavam na live Marcelo Silva (presidente do IDV), Flávio Rocha (conselheiro do IDV e presidente do Conselho Administrativo da Riachuelo) e Antonio Carlos Pipponzi (conselheiro do IDV e presidente do Conselho Administrivo da RD).

Veja abaixo outros trechos da fala do ministro:
  • “Vamos para o teletrabalho, para o e-commerce, mas de qualquer forma temos de manter respirando e oxigenada a economia brasileira”
  • “O protocolo da crise está sendo seguido, os presidentes de Poderes estão se entendendo”
  • “Trocamos nosso eixo de atuação. Nosso eixo eram as reformas estruturantes, agora são as medidas emergenciais”
  • “Temos que manter a economia brasileira respirando e oxigenada. Não podemos cair na atração fatal da inadimplência, da moratória, do vale-tudo”
  • “Não vamos destruir os capitalizados. Vamos manter as redes de pagamento em funcionamento. Podemos renegociar um aluguel, salário, podemos renegociar tudo. Mas não desorganizar a rede de pagamentos”

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

DB DigitalReceba no seu email

DB DigitalReceba no seu email