O presidente da ABAD, Leonardo Miguel Severini, esteve presente na NRF 2026 e trouxe insights exclusivos para a Revista Distribuição.
Acompanhe a seguir o resumo executivo descrito por Severini:
1º dia
O primeiro dia da NRF 2026 deixou uma mensagem clara: o varejo entrou definitivamente em uma nova era, marcada por IA no centro do modelo de negócios, jornadas orientadas por intenção (e não mais por navegação) e pela valorização simultânea de tecnologia, cultura e experiência humana. Não se trata de futurismo — os cases apresentados já estão em operação, gerando resultados mensuráveis.
Apesar de contextos distintos (esporte, luxo, alimentar, marketplace, cooperativa), as palestras convergiram em aprendizados comuns e altamente aplicáveis ao varejo brasileiro.
Os 5 principais aprendizados do dia
1. Valor supera preço — e precisa ser explícito
Consumidores continuam comprando, porém mais seletivos. Vence quem entrega benefício claro, propósito e solução real. Produto que não se reinventa perde relevância e giro.
???? Impacto prático: foco em curadoria, storytelling de valor e renovação constante de sortimento.
2. IA é alavanca de produtividade, não substituta de pessoas
Em todos os setores, a IA aparece como ferramenta para decidir melhor, mais rápido e em escala, protegendo o papel do varejista como dono da relação com o cliente.
???? Impacto prático: menos tarefas operacionais, mais tempo para estratégia, atendimento e liderança.
3. O varejo migra de “venda” para “resolução”
Com o avanço do comércio agêntico, o cliente não quer escolher — quer resolver. A jornada deixa de ser busca → comparação → checkout e passa a ser intenção → decisão → entrega.
???? Impacto prático: quem não for “legível para agentes de IA” simplesmente deixa de competir.
4. Ecossistemas vencem modelos isolados
Os cases mais fortes (Magalu, Fanatics, FairPrice) operam como plataformas integradas, conectando produto, dados, mídia, logística, experiência física e digital.
???? Impacto prático: novas fontes de receita, maior recorrência e redução de dependência de mídia paga.
5. Cultura, confiança e experiência humana continuam decisivas
Mesmo com IA avançada, confiança, propósito, marca e pessoas seguem sendo os maiores diferenciais — especialmente em categorias de alto envolvimento e no luxo.
???? Impacto prático: tecnologia precisa ser invisível para o cliente e poderosa nos bastidores.
Síntese final
O varejo do futuro já está operando: AI-first, humano no centro, orientado a dados e focado em resolver a vida do cliente. As empresas vencedoras serão aquelas que combinarem valor percebido, tecnologia bem aplicada, cultura forte e coragem para testar — começando agora, não quando o mercado exigir.
2º dia
Segundo dia da NRF 2026, em Nova York, e a principal mensagem foi muito clara: o varejo do futuro não será vencido por quem tem mais dinheiro, mas por quem cria mais conexão. Hoje, o palco foi dominado por discussões sobre marca, cultura, pessoas, tecnologia e, principalmente, emoção.
A palestra que melhor sintetizou tudo isso foi a de Ryan Reynolds. De forma provocadora e extremamente prática, ele mostrou que marcas relevantes não nascem de campanhas perfeitas ou grandes orçamentos, mas de autenticidade, velocidade e coragem para errar rápido. Para ele, o maior erro das marcas é tentar parecer grandes demais e humanas de menos. As que vencem são aquelas que participam da cultura em tempo real, falam como gente — e não como corporação — e criam afinidade emocional, quando o consumidor escolhe a marca por identificação, não apenas por lógica. O caso do Wrexham AFC deixou isso muito claro: um clube pequeno que virou global não por estrelas, mas por storytelling, comunidade e pertencimento. Ryan foi direto ao ponto: tempo e dinheiro em excesso matam a criatividade, e o perfeccionismo é inimigo da inovação.

Esse mesmo fio condutor apareceu em outras palestras do dia. A Abercrombie & Fitch mostrou que sua virada veio de liderança humana, escuta real do cliente e cultura forte, com mais autonomia para os times e menos controle central. A Ralph Lauren reforçou que tecnologia não substitui o DNA da marca — ela amplifica. Tradição e inovação não competem, quando bem orquestradas. No painel “Os Ícones”, marcas como Gymshark e Skims deixaram claro que marca virou mídia, comunidade virou ativo estratégico e crescer sem alma destrói valor. Já em Alimentos & Bebidas, o recado foi objetivo: o futuro passa por produtos funcionais com propósito real, omnicanalidade integrada e parcerias muito mais granulares. E a Ulta Beauty mostrou que estratégia só funciona quando é simples, vivida por toda a organização e apoiada por IA para personalização — sem perder o fator humano.
Se eu tivesse que resumir o segundo dia da NRF em cinco pontos: autenticidade vence orçamento; velocidade importa mais que perfeição; marcas fortes criam pertencimento; IA potencializa pessoas, não substitui cultura; e comunidade virou o maior diferencial competitivo.
O recado final para o varejo brasileiro é direto: não é sobre parecer grande, é sobre ser relevante. Quem constrói marca com verdade, escuta o cliente de perto e age rápido vai atravessar ciclos, tecnologias e tendências. O jogo agora é humano, emocional e conectado.
3º dia
O terceiro dia da NRF deixou uma mensagem muito clara: o varejo não está sendo transformado por tecnologia, mas por comportamento.
Começando com Gary Vaynerchuk, o principal aprendizado foi que atenção virou o ativo mais valioso do varejo. Não é sobre likes ou seguidores, é sobre atenção que vira caixa. O case da Barnes & Noble mostrou isso na prática: relevância cultural no digital, desejo criado no TikTok, tráfego para a loja física e venda no caixa. Varejo físico não morre por causa do digital — morre por falta de relevância.
Na sequência, o painel da VF Corporation reforçou que marca forte não se reinventa se afastando da sua essência, mas aprofundando-a. The North Face voltou à montanha, Vans à cultura criativa e a Timberland ao seu ícone emocional. Resultado: mais desejo, mais conexão e mais consistência entre cultura, produto e resultado financeiro.
Já a JD Group mostrou que o varejista do futuro precisa ter ponto de vista. Não basta ser canal. Curadoria, exclusividade e loja como palco são o que geram margem, giro e fidelidade — especialmente num mundo onde tênis virou o calçado do dia a dia.
A DICK’S Sporting Goods trouxe uma visão poderosa sobre mídia em loja: tecnologia não é enfeite. Digital só funciona quando ajuda o cliente a decidir melhor, cria emoção e aumenta conversão — sem virar Times Square.
No painel sobre serviços, Walmart, McDonald’s e Carrefour mostraram que o futuro do varejo está em virar plataforma. Serviços, dados e recorrência já geram mais lucro do que o produto em si.
A SharkNinja reforçou que inovação real nasce da obsessão pelo consumidor, com testes intensivos e produtos pensados para gerar excelência e viralidade desde o primeiro lançamento.
E fechando o dia, Jason Goldberg foi direto: o consumidor agora compra via agentes de IA. O robô escolhe o produto, o varejista e até repõe automaticamente. O jogo passa a ser otimizar para algoritmos — e não apenas para pessoas.
Conclusões:
Atenção é o novo estoque.
Marca forte nasce da essência.
Curadoria gera margem.
Serviços escalam lucro.
E quem não se adaptar à IA agora corre o risco de ficar irrelevante muito rápido.
Esse não é o futuro do varejo. Já é o presente.
NRF 2026 — Os 6 grandes ensinamentos que já estão moldando o varejo
Depois de três dias intensos de NRF, a principal conclusão é clara:
o varejo não está mudando por causa da tecnologia, mas por causa do comportamento do consumidor.
E 6 grandes tendências dominaram praticamente todos os palcos.
1️⃣ Atenção virou o novo estoque
Como reforçou Gary Vaynerchuk, atenção hoje vale mais do que metragem, sortimento ou mídia cara.
Quem captura atenção relevante vende mais.
O exemplo da Barnes & Noble mostrou isso na prática: cultura gera atenção, atenção gera tráfego, tráfego gera venda no caixa.
???? Aplicação no Brasil:
Varejo físico não morre por causa do digital. Morre por irrelevância cultural. Conteúdo certo atrai o cliente certo.
2️⃣ Marca forte aprofunda essência — não tenta ser tudo
Os painéis da VF Corporation deixaram uma lição poderosa:
The North Face voltou à montanha, Vans à cultura criativa, Timberland ao seu ícone emocional.
Resultado? Mais desejo, mais conexão e mais consistência financeira.
???? Aplicação:
Marca que tenta agradar todo mundo perde identidade. Foco gera valor e margem.
3️⃣ Curadoria é estratégia — não estética
A JD Group mostrou que o varejista do futuro não é um “canal”, é um curador com ponto de vista.
Exclusividade, escolha consciente de produto, cor, história e loja como palco.
???? Aplicação:
Quem é só “porta de entrada” vira commodity. Curadoria gera fidelidade e giro.
4️⃣ Loja física virou palco de experiência e conversão
A DICK’S Sporting Goods reforçou:
tecnologia em loja só faz sentido se ajudar o cliente a decidir melhor.
Nada de poluição visual. Digital precisa elevar confiança, emoção e venda.
???? Aplicação:
Loja não é depósito. É teatro, narrativa e decisão assistida.
5️⃣ Serviços e plataformas são o novo motor de lucro
Walmart, McDonald’s e Carrefour mostraram que produto sozinho não sustenta margem.
Logística, dados, serviços financeiros, assinaturas e conveniência já geram mais lucro que a venda tradicional.
???? Aplicação:
Use seus ativos — loja, dados, relacionamento — para criar receitas recorrentes.
6️⃣ IA deixou de ser ferramenta e virou canal de compra
Como destacou Jason Goldberg, o consumidor agora conversa com agentes de IA.
O robô recomenda, escolhe o varejista e compra — muitas vezes com zero clique.
???? Aplicação:
Não basta SEO para pessoas. É preciso otimizar produtos, dados e catálogos para algoritmos.
???? Conclusão final
A NRF 2026 mostrou que o varejo vencedor:
• disputa atenção, não só preço
• aprofunda essência de marca
• usa curadoria como vantagem competitiva
• transforma loja em experiência de decisão
• cria serviços recorrentes
• e aprende a vender para pessoas e robôs
Isso não é tendência distante.
???? É o novo padrão do varejo global — e o Brasil pode aplicar agora.