A 44ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto, em Atibaia (SP), também apre- sentou uma novidade exclusiva aos cerca de 850 convidados: uma nova pesquisa conduzida pela NielsenIQ sobre o pequeno varejo brasileiro. A consultoria entrevistou 400 estabelecimentos espalhados pelo país para mapear o funcionamento do varejo de vizinhança. O objetivo foi compreender os fatores que influenciam as decisões de compra desses varejistas e conhecer sua estrutura física, operação e relação com os canais digitais.
“Entre os 1,5 milhão de pontos de venda do varejo brasileiro, percebemos que os canais Tradicional e Autosserviço Independente (AS Independente) representam, juntos, 33% do universo do varejo nacional e 30% do fatura- mento das cestas NielsenIQ”, destacou Domenico Tremarolli Filho, diretor de atendimento ao varejo da NielsenIQ e responsável pela apresentação na Convenção.
Com 426 mil pontos de venda, o canal Tradicional é o mais numeroso, respondendo por 11% do faturamento. Já o AS Independente, com aproxima- damente 75 mil PDVs, detém 19% do faturamento. O atacarejo (Cash & Carry) aparece em terceiro lugar no ranking de faturamento. Outro dado relevante da pesquisa é a concentração regional do pequeno varejo, com destaque para as regiões Nordeste, Sul e Sudeste, onde a participação pode ultrapassar um terço do faturamento de bens de consumo rápido (FMCG) em determinadas áreas.
ESTRUTURA E OPERAÇÃO
Os pontos de venda do canal Tradicional costumam ter estrutura enxuta, com média de 54 m2 e apenas dois colaboradores. Muitos operam com o mínimo necessário, apresentando baixa presença de refrigeradores e poucas opções de autosserviço. “As padarias são um ter- ço desses locais, por exemplo, onde o mesmo funcionário atende o cliente, gerencia o estoque e decide o que comprar. Ele acumula todas essas funções”, comentou Tremaroli Filho. As lojas AS Independentes, por sua vez, têm em média 300 m2, 2,5 check-outs e sete funcionários, número esse que tem diminuído nos últimos anos.
DESAFIOS E OPORTUNIDADES
A gestão desses pontos de venda também está mudando, segundo o estudo. Há um crescimento da presença de gerentes contratados no lugar de proprietários, além de um perfil mais jovem, feminino e com maior escolaridade entre os responsáveis. Ainda assim, muitos processos continuam manuais. A pesquisa mostrou que 45% dos gestores utilizam sistemas próprios para controle de estoque, 22% utilizam o Excel e 12% ainda recorrem ao caderno. “O grande desafio do pequeno varejo é a gestão do esto- que. Que produtos vender? Como comprar? Em que quantidade? De quem comprar? Um controle bem-feito é essencial para que esse varejista consiga avançar”, afirmou o executivo.
Outro dado revelador do estudo é a lógica de compra por necessidade: 60% dos estabelecimentos compram somente quando o estoque começa a acabar. “Esse comportamento é bem predominante no canal. Isso significa que o gestor espera os produtos terminarem para então fazer o pedido. Com isso, a urgência passa a ter um peso maior e ele acaba buscando canais que entregam mais rápido, muitas vezes deixando de lado os agentes de distribuição”, explicou Tremaroli.
Para concluir a apresentação, o executivo destacou três principais desafios e três oportunidades do pequeno varejo. Os desafios: limitação de espaço físico, abastecimento e maximização do sortimento. E as oportunidades: personalização da oferta, relacionamento próximo e alta rotatividade.






