Atacarejo divide espaço com varejo de proximidade e conveniência
O consumidor deixou de concentrar as compras em poucos estabelecimentos e passou a alternar entre atacarejos, supermercados de bairro, lojas de proximidade e outros canais do varejo, conforme a necessidade de cada momento.
“Até pouco tempo atrás, esse consumidor buscava fazer suas compras em seis ou sete formatos. Hoje, ele circula mais e busca diferentes canais para atender uma necessidade, que é o bolso mais apertado”, diz Domenico Tremarolli Filho, diretor de Atendimento ao Varejo na NielsenIQ, durante a divulgação do Ranking Abad NielsenIQ dos maiores atacadistas.
E, ao experimentar novos canais, o consumidor também passa a valorizar aspectos ligados à experiência de compra e ao atendimento. O avanço dos produtos ligados à saudabilidade é um reflexo desse novo perfil de consumo. Apesar de custarem entre 10% e 15% mais do que as versões tradicionais, esses itens continuam ganhando espaço no varejo brasileiro.
Consumo pulverizado muda dinâmica do varejo
Esse movimento também ajuda a explicar as oscilações entre diferentes modelos de varejo, incluindo o atacarejo. Para Leonardo Miguel Severini, presidente da Abad (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados), os hábitos de consumo acompanham o cenário econômico e as necessidades do consumidor.
“Os hábitos de consumo são cíclicos. Em determinados momentos, eles tendem para uma certa forma de abastecimento, enchendo a dispensa, e no outro momento eles tendem para uma certa compra através da conveniência, do momento mais propício a consumo”, afirma.
O executivo analisa que o varejo tradicional passou por um processo de modernização nos últimos anos, especialmente em operações menores e de proximidade. “O setor de conveniência, o varejo tradicional, o varejo de bairro, o varejo de proximidade, acabou se capacitando um pouquinho mais, adquiriu um pouquinho mais de know-how em termos de abastecimento”, diz.
Com isso, a indústria passou a enxergar no canal indireto uma forma mais eficiente de abastecer lojas de conveniência e pequenos varejistas, fortalecendo operações ligadas ao consumo de proximidade. “O que a gente tem visto ao longo dos últimos dois anos é um crescimento nesse hábito de consumo sobre conveniência e nessas operações de conveniência de oferta dos produtos também ao consumidor.”
Copa do Mundo deve movimentar consumo dentro de casa
A expectativa do setor é a de que a circulação entre canais continue forte em 2026, com fatores adicionais capazes de estimular o consumo, como a Copa do Mundo e a expectativa de temperaturas mais elevadas no País no segundo semestre.
O horário do Mundial de futebol, que será realizado nos meses de junho e julho, nos Estados Unidos, Canada e México, deve ampliar as ocasiões de consumo dentro das residências e beneficiar diferentes canais abastecidos pelo setor.
Já no segundo semestre, em função do El Niño extremo e da previsão de temperaturas mais altas no Brasil, a circulação de consumidores e o consumo devem ser estimulados.
“Além de festivais como a festa junina, que acontece todo ano, esses dois fatores novos trazem um certo do otimismo, para o que pode acontecer e para o que deve acontecer até o final de 2026”, diz Tremarolli Filho.
Fonte: Mercado&Consumo
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