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ENCONTRO DE VALOR Momento Mercado

O cenário de consumo no varejo

Conduzido por Ana Paula Mello e Priscila Ariani, da Scanntech, o painel conectou dados econômicos, mudanças climáticas e transformações demográficas a partir de um olhar atento à operação prática dos pontos de venda. Logo no início, Ana Paula celebrou um marco relevante para a empresa: “Em 2025, a Scanntech atingirá 1 trilhão de leituras por ano. O ecossistema que construímos parte dos dados cedidos pelo varejo para gerar inteligência e valor a toda a cadeia”, disse. Ela destacou três pilares para apoiar o distribuidor na virada cultural necessária à competitividade: relatórios multi-indústria com autonomia, times dedicados a treinamento e apoio, e customização conforme a operação de cada cliente.

Priscila complementou com uma visão ampla do cenário econômico. “Desde abril, a inflação desacelera e a renda real aumenta, enquanto o desemprego atinge níveis historicamente baixos. Em tese, isso deveria impulsionar o consumo. Mas não é o que vemos: a inadimplência sobe, a confiança do consumidor cai, e o volume de vendas segue retraído por cinco trimestres consecutivos”, explicou.

Essa aparente contradição entre indicadores macroeconômicos e desempenho de loja motivou uma análise mais detalhada. A pesquisa da Scanntech mostra que a queda de unidades vendidas é mais acentuada no varejo de vizinhança, especialmente em categorias como bebidas. “Bebidas refrescantes e cervejas retraíram fortemente em 2025, um ano marcado por temperaturas mais baixas. Isso mostra como nosso setor depende do clima”, afirmou Priscila. “A queda é ainda maior nos canais de proximidade, onde essas cestas são mais representativas”, completou. Além do fator climático, ela apontou a crescente busca por alimentos mais saudáveis como uma tendência clara no comportamento do consumidor:

TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS

Outro ponto levantado no painel foi o impacto das mudanças demográficas no padrão de consumo. “A taxa de fecundidade caiu, os lares estão menores e há mais pessoas morando sozinhas. Isso altera completamente a forma de se alimentar. Quem vive sozinho, por exemplo, tende a priorizar alimentos práticos em vez da refeição tradicional com arroz e feijão que, aliás, são itens em retração tanto em preço quanto em volume”, observou Priscila. Ana também chamou a atenção para o impacto da ruptura. “Estamos falando de pedidos insuficientes para atender à demanda. Quando mostramos por loja, por SKU, o que não passa no caixa há uma, duas, três semanas, revelamos onde está a perda de venda. Essa é a inteligência do Radar Varejo de Vizinhança.”

A Scanntech apresentará o Radar Varejo de Vizinhança. A pedido da ABAD, a empresa agora terá um relatório trimestral que mostra o desempenho do canal. Ver matéria na edição.