Na palestra que encerrou os painéis estratégicos do Encontro de Valor ABAD 2025, o publicitário e chief creative officer da Accenture, Eco Moliterno, provocou o público a refletir sobre o papel da inteligência artificial no presente e no futuro da gestão, do varejo e da experiência de consumo.
Moliterno começou sua fala com uma retrospectiva da evolução dos algoritmos, de simples mecanismos descritivos a ferramentas diagnósticas e preditivas, e destacou o impacto dessa transformação na jornada do consumidor. “O algoritmo que era descritivo passou a ser diagnóstico, e hoje é preditivo. Estamos vendo a morte gradual da tela padrão: tudo é personalizado, e isso redefine como nos conectamos com marcas e produtos”, disse. Com a pandemia acelerando a digitalização dos negócios, ele explica que entramos na era da relevância: “Não basta mais ter o melhor produto ou serviço. Hoje, quem fizer parte da vida das pessoas é quem vai prosperar. A experiência virou parte de tudo, e o relacionamento digital precisa ser mais humano e emocional”.
Moliterno apontou que deixamos para trás a era da automação (com a tecnologia no centro, operada por humanos) e entramos na era da autonomia (com o humano no centro, operando tecnologias que o potencializam). Segundo ele, isso muda completamente a lógica do engajamento e do consumo.
Isso porque a IA deixou de ser ferramenta e virou companhia. “Mais de 75% das atividades serão autônomas no futuro. E no Brasil, já somos o terceiro país que mais utiliza o ChatGPT, com 140 milhões de mensagens trocadas diariamente”, pontuou.
Essa transformação, segundo Moliterno, culmina no a-commerce (autonomous commerce), substituindo o e-commerce tradicional. Ele explicou que os “agentes de compra” operados por IA farão análises completas sobre produtos, reputação, avaliações e histórico de consumo em segundos, indicando ao consumidor a melhor escolha. Apesar da rapidez nas mudanças, ele tranquilizou o setor ao destacar que o varejo ainda é uma das indústrias menos suscetíveis à disrupção total. E que o setor atacadista distribuidor tem um ‘core’ profundamente humano, o que faz com que a IA apenas o potencialize, sem o substituir.
Ao fim da palestra, Moliterno reforçou o papel estratégico das empresas em moldar essa nova era com responsabilidade e empatia: “A tecnologia só é transformadora quando está a serviço das pessoas”.






