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O fim de ano e o verão configuram um momento único de consumo. Categorias que não fazem parte das compras rotineiras ganham espaço nas gôndolas, nos carrinhos e aumentam o tíquete médio

Por Adriana Bruno

Com as festas de Natal, Ano Novo, verão e o período de férias, o consumo de alimentos e bebidas no Brasil sofre alterações significativas em relação ao restante do ano.

Os brasileiros costumam incorporar itens mais festivos, indulgentes e tradicionais às suas ceias e confraternizações, enquanto, ao mesmo tempo, os preços, sazonalidade e ofertas moldam as escolhas.

E dentre as categorias que mais são adicionadas à cesta de compras, as bebidas são destaque. De acordo com Marina Flávia da Silva, head de marketing e trade marketing da Cia. Müller de Bebidas, o Brasil é o terceiro maior mercado de bebidas alcoólicas do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos, segundo dados da Euromonitor.

“Para todo o mercado de bebidas alcoólicas, o período de dezembro a fevereiro é o mais importante do calendário. Temos as confraternizações de fim de ano, as festas de Natal e Ano Novo, as férias e o Carnaval, tudo isso durante a estação mais gostosa do ano, o verão, o que favorece os momentos de celebração e encontro, tendo o brinde com uma dose ou drinque como parte da festa”, comenta. Ela ainda fala que esse movimento positivo com o aumento da demanda favorece não só os fabricantes de bebidas, mas todo o setor, incluindo bares, restaurantes, hotéis e pequenos comerciantes, como os vendedores ambulantes e o varejo tradicional. “É todo um contingente de empresas e trabalhadores que se beneficiam neste período”, pontua Marina.

E por falar em bebida para comemorar, vinhos e espumantes também estão presentes tanto no mix do canal direto como no varejo. Rodrigo Valério, diretor de marketing e vendas da Aurora, comenta que no segmento de vinhos há tendência clara: o consumidor busca cada vez mais produtos com menor teor alcoólico, versões desalcoolizadas e também rótulos premium, que entregam experiências diferenciadas. “Também percebemos uma grande movimentação na venda de vinhos de tíquete mais baixo, como os vinhos de mesa e os finos de entrada, por exemplo. Acreditamos em um fim de ano promissor e estamos preparados para atender essas diferentes demandas do mercado”, afirma.

Ainda de acordo com Valério, o mercado de sucos, vinhos e espumantes no Brasil vive um cenário desafiador, com certo grau de estagnação no consumo. “Ainda assim, enxergamos boas perspectivas em algumas categorias. No caso dos sucos e espumantes, a expectativa para o fim do ano é bastante positiva, com possibilidade de crescimento entre 5% e 10% para a Aurora”, destaca. Valério ainda conta que, no fim do ano, a maior procura é pelos espumantes. “Cerca de 40% das vendas anuais dessa categoria se concentram no último trimestre. Além deles, temos observado também o crescimento de outras categorias nesse período, como a linha Zero Álcool e os vinhos brancos, que vêm ganhando cada vez mais espaço nas celebrações de fim de ano”, diz.

BEBIDAS SAUDÁVEIS

Vale dizer que desde o início da primavera já se pode notar o aumento no consumo de produtos como sucos e outras bebidas saudáveis, como chás e água de coco. “Percebemos um aumento sempre importante e considerável a partir do início da primavera, e com as temperaturas mais altas, onde a busca por produtos que promovem hidratação e refrescância tem aumento de consumo”, comenta Mateus Poggere, diretor de produto e estratégia da Zanlorenzi Bebidas. Ele ainda revela os sabores de sucos mais consumidos pelos brasileiros. “Uva e Laranja são os sabores que se mantêm na liderança. Há um revezamento entre eles, com relação ao primeiro e segundo lugar. Em geral, o sabor de uva é o mais consumido pelo público infantil, com destaque pela própria cor e dulçor. Outros sabores como maçã, pêssego, manga e goiaba também têm se destacado, fazendo cada vez mais parte do dia a dia do consumidor. São frutas que entregam bastante dulçor e a tropicalidade tão desejada pelo consumidor brasileiro, fazendo parte dos TOP 10 em termos de sabor”, conta.

PANETONES SÃO A ESTRELA DA FESTA

O mercado de panetones no Brasil é altamente aquecido no período natalino, sendo essa a época mais relevante para a categoria. “A expectativa para 2025 é de desempenho positivo, impulsionado por inovação, variedade de sabores e embalagens sofisticadas”, comenta Érika Junqueira, head de marketing da Panco. Ela afirma que, embora a empresa não divulgue projeções de volume, espera crescimento de dois dígitos. Ela ainda revela que, segundo estudo da Worldpanel by Numerator para a Abimapi, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, o panetone movimentou R$ 1,24 bilhão, registrando crescimento de 29,6% em valor e 7,3% em volume, com 49,7 mil toneladas vendidas. “A penetração da categoria atingiu 62,9% dos lares brasileiros, 1,6% acima do ciclo anterior. O estudo também mostra que os panetones recheados lideram em crescimento de valor (41,3%).”

Em 2025, o consumidor pôde encontrar os panetones nos supermercados já no mês de agosto. Segundo Érika, a antecipação das vendas é uma tendência consolidada. “Na Panco, iniciamos a distribuição aos varejistas no começo de julho, antes mesmo do ano anterior. Essa estratégia garante maior visibilidade nos pontos de venda e atende à demanda crescente por panetones fora da temporada natalina, reforçando seu consumo ao longo do ano”, comenta.

Dentre as tendências para o setor, os panetones recheados vêm ganhando mais relevância como um item presenteável. “O Natal é considerado uma das datas sazonais mais importantes para a Arcor, isso porque a empresa conta com um mercado fiel às suas marcas de panetones. Além disso, sabemos que há um movimento de indulgência em busca dos recheados e, também, por experiências únicas e marcantes”, comenta Matias Torterolo, gerente de marketing da categoria de biscoitos da Arcor do Brasil.

Ainda segundo ele, dentre as preferências do brasileiro, o panetone de frutas é um dos mais apreciados, “mas os brasileiros adoram opções com chocolate e outros sabores”, finaliza. Já a Wickbold, atuante no segmento de pães especiais e com 87 anos de mercado, apresenta as novas embalagens da linha de Pães Sem Casca, disponível nos sabores Tradicional e Fonte de Fibras. Além da modernização da identidade visual, os produtos também passaram por melhorias em sua formulação. “A nova identidade visual da linha Sem Casca reflete o compromisso, não apenas com uma embalagem mais moderna e funcional, mas também com a experiência do consumidor. Queremos facilitar a escolha no ponto de venda e, ao mesmo tempo, oferecer um produto ainda mais saboroso para o dia a dia”, destaca Fernando Morais, coordenador de marketing da fabricante.

FÉRIAS COMBINAM COM REPELENTE

Repelentes tornam-se itens de necessidade rápida quando há surtos ou condições climáticas favoráveis. Para supermercados, isso significa oportunidade de vendas impulsivas: clientes que entram buscando alimentos ou itens do cotidiano também acabam comprando repelentes. Ter uma boa linha de repelentes, com diferentes fórmulas (spray, loção, loção infantil), faixas de preço e marcas reconhecidas, pode ajudar a capturar parte desse aumento de demanda. Além disso, os supermercados tradicionais, os atacarejos e lojas de conveniência têm espaço para crescer.

Segundo levantamento da Worldpanel by Numerator sobre bens de consumo (incluindo repelentes), os atacarejos vêm ganhando participação de mercado no segmento. Os dados mostram ainda que em 2023 as categorias de repelentes e inseticidas nos lares brasileiros cresceram 15 pontos percentuais (p.p.) e 2,5 p.p., respectivamente, em relação a 2022. Já o aumento do volume de repelente consumido no período foi da ordem de 27%. A maior concentração desse consumo é na classe AB, representando 27% da população e 34% das unidades compradas. A região da Grande Rio de Janeiro é responsável por 12% dos repelentes adquiridos nacionalmente.

Vale lembrar que diante da sazonalidade, o varejo precisa antecipar estoques antes dos picos de demanda para evitar rupturas. Também devem manter bom sortimento para diferentes públicos, por exemplo: produtos premium, opções voltadas para crianças, repelentes sem cheiro, sprays e loções, entre outros.