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Mapa de vendas

Estudo realizado pela Nielsen revela os desempenhos de 35 categorias de produtos no varejo de vizinhança, que apresentaram, em média, uma alta de 1,6%

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Mapa de vendas

Estudo realizado pela Nielsen revela os desempenhos de 35 categorias de produtos no varejo de vizinhança, que apresentaram, em média, uma alta de 1,6%

Por Claudia Rivoiro e Rúbia Evangelinellis

A young girl in a grocery supermarket

Em um ano em que a economia ainda patina rumo ao crescimento, estimado ao redor de 0,9%, e em que o consumo ainda carece de estímulos para não minguar (como a liberação de recursos do FGTS e do PIS/Pasep), as empresas precisam permanecer atentas ao que o brasileiro busca nos pontos de venda e ajustar seu portfólio às escolhas do seu público-alvo. 

O levantamento realizado pela Nielsen revela o comportamento das vendas de 35 categorias de produtos comercializadas no varejo tradicional ou com até nove checkouts que atuam em várias localidades. O estudo em questão mapeia os resultados das vendas registradas em 485 mil estabelecimentos no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2018. Juntas, essas categorias correspondem a 61,3% do mix pesquisado, de 160 categorias, e apresentaram, em média, uma variação positiva de 1,6%. 

Cláudio Czarnobai, diretor de Reinvenção de Produtos da Nielsen, observa que, considerando-se o cenário macroeconômico, o primeiro semestre de 2019, em comparação com o primeiro semestre de 2018, começou com uma expectativa mais alta do que os resultados que de fato se obteve. Resultados que refletiram a queda de confiança do empresário e do consumidor. Além disso, pesou neles a desaceleração global.

Há, porém, dois aspectos positivos que se destacaram no período: a redução da taxa Selic (estimada em 4,5% para este ano) e a liberação de recursos do FGTS, que provocaram uma miniaceleração da economia, abaixo da proporção esperada. A inflação, por sua vez, apresentou-se mais bem-comportada (está estimada em 3,26% em 2019), mais ainda é uma das maiores da América Latina.

Olhando para os dias atuais e para um futuro próximo, para efeito de consumo doméstico, Cláudio Czarnobai menciona que o segundo trimestre (com base no mesmo período de 2018, que sofreu com a greve dos caminhoneiros) já apresentou melhoria do consumo em valor, mas em volume cresceu apenas em patamar inferior.

Em valor, chegou-se a um aumento de 5,6%, quando se considera todos os canais de vendas, inclusive o autosserviço, com 140 categorias pesquisadas em cerca de 1,070 milhão de estabelecimentos. Mas em volume cresceu em torno de 1%. Isso significa dizer repasse de preços e migração do consumo para produtos com marcas que custam mais, mas que não são necessariamente as marcas Premium.

Segundo informou, entre as categorias que mais cresceram estão as seguintes: cerveja, refrigerante, sabão e detergente em pó, água mineral, linguiça, salgadinho, leite em pó, suco pronto, farinha de trigo e papel higiênico. Na outra ponta, com quedas mais acentuadas, aparecem café em pó (depois de uma significativa alta da saca), uísque, conhaque, vodca, suco em pó, guloseimas (balas, pastilhas e caramelos), tintura para cabelo, modificador de leite, salame e cereal em barra.

No contexto atual, acrescenta, o consumidor precisa fazer ginástica para que os gastos caibam em seu bolso. Também é preciso destacar neste ano o problema do endividamento das famílias. “Mas acredito no fechamento de 2019 com leve recuperação do consumo em relação ao ano passado. Espero que uma melhora significativa venha a ocorrer em 2020 desde que também ocorram planejamento e transformações estruturais na política econômica, mas sem demonstrar um patamar de crescimento sustentável, como ocorreu no passado. Não creio que podemos esperar uma reação de 3%, 4% ou 5%, mas, isto sim, um período de transição”, avalia. Ele tem a expectativa de que o ano de 2019 será fechado com um crescimento do consumo em torno de 5% em valor (considerando-se todos os canais) e de 1% a 2% em volume.

Fábio Mariano Borges, professor com mestrado em Comportamento do Consumidor, explica que o formato de loja de vizinhança está consolidado no Brasil. “Oferecem a facilidade de mobilidade, ainda que seja uma compra para o mês; os híper e supermercados deixaram de ser locais de passeio, em que as pessoas gastavam horas com as compras.”

O especialista também destaca, entre os aspectos transformadores de consumo, o fato de as grandes indústrias reduzirem o mix de suas marcas, o que simplifica a escolha de itens na gôndola. Outro ponto de destaque é o fato de que o consumidor consegue realizar, on-line, a comparação de preços. Diante disso, ele acrescenta que a decisão de compra pelos consumidores deve ser observada levando-se em consideração uma série de fatores, como hábitos de compra e custo para se deslocar até o local da aquisição dos produtos desejados.

O levantamento que apontou o desempenho de 35 categorias de produtos foi realizado com base no faturamento apurado em 485 mil estabelecimentos no primeiro semestre do ano, em relação o mesmo período de 2018. Ele detecta a comercialização no varejo tradicional (atendimento em balcão) e com até nove checkouts. E revela a movimentação e a variação percentual entre os períodos. No campo da importância em valor, é possível analisar o quanto cada região e cada segmento representam para cada categoria e também as respectivas variações que registraram.