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EXPECTATIVAS E INVESTIMENTOS

Aposta contínua

Empresas seguem a estratégia de investir para ganhar fôlego e competitividade para crescer em diversas áreas da operação

Rúbia Evangelinellis

Donas de uma história construída, a duras penas, em um cenário econômico oscilante e competitivo, as empresas do setor sabem manter a aposta firme no crescimento dos negócios. Pelo retrato formado a partir das informações das respondentes ao ranking de 2026, os ânimos continuam positivos e em alta especialmente em indicadores de peso consultados diariamente.

Do total de entrevistados, 46,7% esperam aumentar o número de colaboradores, enquanto 44,8% confiam que vão ao menos manter o quadro atual. Somente 7% estimam a redução da folha de pagamento. Quando o assunto é volume de vendas, 61,6% creem no incremento, 33,5% apostam na manutenção e a minoria (4,9%) está pessimista.

Mas o ponto alto está no fato de 76,2% das empresas terem previsão de aumento da carteira de clientes e 21,9% a manutenção da lista, ante os 1,9% que estimam queda.

Outro vetor demonstra também a garra do setor na busca de melhores resultados: 51,6% esperam ampliar o número de fornecedores; 42,8% em manter os contratos atuais e 5,6% esperam reduzir.

Plano ativo

Em paralelo às expectativas, as empresas deixam clara a necessidade de investir para ter fôlego para crescer em diversas áreas da operação. Duas delas despontam como prioritárias: sistemas de informação e tecnologia. Em sistemas de informação, 49,2% das companhias informam que vão aumentar os investimentos, enquanto 49,6% comunicam a manutenção. Em tecnologia de gestão, 46,6% querem ampliar e 52,1% apostam na estabilidade. A injeção de recursos em e-commerce e marketplace também chama a atenção: 45,3% apostam em aumento e 52,2% preferem manter. Entre outros indicadores de expansão está o crescimento programado da área de armazenagem: 25,9% para refrigerados e 38% para alimentos/produtos secos.

O atual retrato reflete, sobretudo, que o setor mantém ativos os planos de investimentos e crescimento, como observado em outras edições. No Ranking de 2025, por exemplo, o otimismo era palavra de ordem e permeava diversas áreas das companhias. Do total de empresas pesquisadas, 79,2% apostavam no aumento da base de clientes, 61,9% esperavam maior volume de vendas, 51,5% o incremento de fornecedores e 50,6% a ampliação do quadro de colaboradores. Em relação aos investimentos, sistemas de informação (48,6% previam aumento) e tecnologia de gestão (47,2% planejavam ampliar a cifra nesta área) já eram apontadas como preferenciais.

Investimentos necessários

O Grupo Martins aprovou, para este ano, um Capex (investimento em bens de capital e ativos de longo prazo) de cerca de R$ 80 milhões com foco em tecnologia, automação e eficiência operacional. Parte relevante desses recursos é destinada à modernização dos sistemas de informação, automação logística e uso de dados e inteligência artificial, informa o CEO Rubens Batista (na foto).

O objetivo, acrescenta, é o ganho de produtividade, a redução estrutural de custos e o suporte ao crescimento do negócio, especialmente nos canais digitais e no marketplace. “Trabalhamos com a premissa de que o investimento precisa ter retorno claro e mensurável. É dessa forma que conseguimos continuar investindo mesmo em um ambiente macroeconômico mais restritivo.”

CEO do Grupo Martins, Rubens Batista

Batista destaca que a tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica de competitividade. “Crescer de forma sustentável hoje exige operar com mais eficiência, tomar decisões melhores e escalar o negócio sem aumentar custos na mesma proporção. Isso só é possível com sistemas robustos, bons dados e processos cada vez mais automatizados”. Além disso, observa, a tecnologia é o que viabiliza novos modelos de negócio, como o marketplace, e melhora a experiência tanto do cliente quanto do fornecedor. “Crescimento e tecnologia caminham juntos”.

Mesmo em um cenário econômico desafiador, o Martins projeta crescimento consistente em 2026. A expectativa é crescer acima da inflação, com ganho de eficiência e sem abrir mão da rentabilidade.