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Pequenos, mas exigentes

Produtos para a criançada exigem constante inovação e seu crescimento é promovido, em parte, pelo atacado distribuidor

Adriana Bruno

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Em uma ampla faixa que se estende de alimentos e bebidas até itens para higiene pessoal, o mercado de produtos destinados a bebês e crianças destaca-se por sua grande importância no Brasil e no mundo.

De acordo com dados fornecidos pela Abihpec – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfuma-ria e Cosméticos, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de consumo de HPPCs, que abrevia higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

Essas categorias estão sempre presentes na cesta de compras do shopper, uma vez que exigem constante reposição de estoques por causa de sua frequência de uso.

“Além disso, o consumidor está mais exigente e busca cuidados mais específicos para cada tipo de cabelo, o que também já acontece na categoria infantil a partir dos quatro anos, quando a criança começa a exigir dos cabelos um toque mais personalizado”, comenta André Guidolin, CEO da Belliz Company, detentora da marca Ricca.

ANDRÉ GUIDOLIN, CEO da Belliz Company

Ele conta que o setor de HPPC como um todo foi impactado durante a pandemia por causa das restrições de circulação e abertura de lojas.

“As crianças, pelo fato de permanecerem em casa, com menos atividades, diminuíram a frequência de lavagem dos cabelos. Mas, por outro lado, durante esse período o canal atacadista distribuidor e seus varejistas acabaram se reinventando por meio de ferramentas de vendas on-line, como o e-commerce e o WhatsApp. E esse novo formato de atendimento acabou minimizando a queda no canal”, afirma.

Ainda no segmento de cuidados pessoais, Gerson Grohskopf, coordenador de Produtos, segmento de Higiene Bucal, da Condor, comenta que, apesar da crise econômica desencadeada pela pandemia, a categoria de produtos para cuidados com a higiene bucal infantil (escova e gel dentais) apresentou um crescimento significativo em 2020, quando comparado com o mesmo período acumulado de janeiro a julho de 2019.

“Nesse setor, é constante o número de desenvolvimentos de novos produtos, além de haver uma demanda crescente por novas necessidades do consumidor. Por um lado, os pais estão cada vez mais preocupados com a saúde e o bem-estar dos filhos e, por outro, as crianças têm um poder de escolha cada vez mais aprimorado e por isso influenciam na decisão final de compra”, diz.

De acordo com Grohskopf, os itens de oral care infantis têm grande importância no mercado global, atendendo às diversas demandas e necessidades de pais e filhos.

“O mercado europeu e o mercado norte-americano oferecem produtos diferenciados em relação ao brasileiro. Mas acredito que, aos poucos, a categoria irá crescer ainda mais e conquistar um espaço maior de mercado nacional. Na Condor, por exemplo, as linhas infantis estão entre as mais importantes porque acreditamos que essa categoria tem um grande potencial”, avalia.

BEBIDA LÁCTEA

Os achocolatados são produtos que garantem presença cons-tante na cesta de compras do shopper com filhos e se, no início da pandemia, o setor sentiu impacto na distribuição dos produtos, aos poucos esse quadro foi mudando.

“O baque aconteceu em decorrência do fechamento do comércio, como nos casos das lanchonetes e restaurantes, e até mesmo na redução do fluxo nas padarias e no varejo tradicional, mas, em seguida, com as pessoas ficando em casa, os supermercados e o cash & carry começaram a ter melhor performance de vendas desses produtos, o que melhorou as vendas. Do mês de junho em diante, os volumes totais já retomaram a normalidade e houve aumento de 30% nas vendas em relação às embalagens tamanho família”, conta Luiz Cláudio Lorenzo, diretor-comercial da Piracanjuba.

Luiz Cláudio Lorenzo, diretor-comercial da Piracanjuba

É preciso destacar o fato de que grande parte do consumo da catego-ria de achocolatados fica por conta de crianças de cinco a dez anos e é nessa fase que as marcas têm oportunidade de fidelizar seus futuros consumidores.

“Portanto, é  uma categoria muito im-portante para a formação e consolidação da marca, tanto que ainda em 2020 teremos o lançamento de novas bebi-das lácteas para consumo individual. Vamos surpreender o mercado com inovações”, diz Lorenzo.

Por outro lado, nesse segmento tão variado também há espaço para os pro-dutos lúdicos. A marca de massinhas Dr. Bhorest está otimista com a possível vol-ta às aulas em algumas de suas regiões de atuação.

“Estamos esperançosos e ansiosos para que tudo ocorra bem e que, seguindo as recomendações e os protocolos de saúde, as aulas retornem o quanto antes. O segmento é perene, tem seus picos, e as massinhas são um produto de impulso e de alto giro, que fazem parte de um mercado milionário”, comenta Aristides Oliveira, gerente de Vendas da marca.

LICENCIAMENTO

Por falar em lúdico, apostar no licenciamento de produtos, especialmente em categorias de HPPC, é algo muito importante para a indústria, o que reflete na gôndola.

“O licenciamento de personagens para o mercado infantil é, sem dúvida, muito importante. Conforme os dados que a Abihpec obteve para a categoria de HPPC infantil, o licenciamento de personagens representa 80% do fatura-mento, pois, apesar de a shopper ser a mãe, ela é influenciada na compra pela criança, que é cada vez mais estimula-da pelos personagens e marcas. Para a empresa que licencia um personagem, a vantagem mais facilmente percebida é o reconhecimento instantâneo, a valorização pelo shopper e a associação a conceitos e valores ligados àquela imagem, o que gera um aumento de vendas mais rápido”, analisa Guidolin.

A Condor também aposta nos licenciamentos para a conquista do público final. “A associação do personagem ao produto é um fator determinante para crianças a partir dos dois anos. No caso dos produtos de higiene oral, essa associação facilita a iniciação ao hábito da higienização bucal diária”, afirma Grohskopf.

Gerson Grohskopf, Coordenador de Produtos, Segmento de Higiene Bucal, da Condor

Em relação ao mercado, a Condor tem a expectativa de que ocorrerá estabilização a partir do segundo semestre, uma vez que os itens da categoria de higiene bucal são fundamentais para to-dos os brasileiros. A empresa também adianta que, em setembro, anunciará um grande lançamento para o público infantil feminino.

OPORTUNIDADE

Os produtos de higiene bucal infantil representam uma grande oportunidade para a rentabilização do negócio dos distribuidores e atacadistas. Na maioria dos casos, o tíquete médio é maior que os das versões adultas, e os pais estão dispostos a desembolsar um pouco mais para as crianças do que para eles próprios em nome da saúde e bem-estar dos filhos. 

“Para a Condor, o canal atacadista distribuidor é fundamental para levar os produtos até mais pontos de venda em todos os cantos do Brasil. Para realizar essa distribuição de maneira assertiva, apostamos em preços diferenciados e alinhados, oferecemos um mix de produtos para cada perfil e segmentação de cliente varejista e sugerimos as formas mais eficazes de exposição no PDV”, destaca Grohskopf.

Segundo Guidolin, o canal atacado distribuidor é extremamente importante para a categoria e deverá ser um vetor a promover sua ampliação.

“Para isso, entendemos que é de importância básica que o canal conheça o perfil de seus varejistas e do shopper que os visita, pois, dessa maneira, ele pode oferecer o sortimento mais adequado a cada loja”, recomenda. Ainda de acordo com ele, o setor precisa estar atento ao fato de que o shopper, neste momento de pandemia, tem ido às compras sem as crianças, e os itens que ele mais bus-ca são as embalagens individuais e de maior gramatura, por conta da relação custo/benefício.

“Quando as crianças visitam o ponto de venda junto com os pais, é importante acrescentar nesse sortimento os packs, que, em geral, oferecem uma comunicação ainda mais receptiva para o público infantil, além do fato de que parte dessas embalagens é trabalhada como presente para esse público”, finaliza.

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