Especial - História

Missão levada muito a sério

Desde sua fundação, há quatro décadas, a ABAD moderniza suas funções para permitir que todo o Brasil tenha pleno acesso ao abastecimento , história que mapeia a trajetória do próprio setor em um esforço que se traduz em prestações de serviços com qualidade, empenho e eficiência

Claudia Rivoiro

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Iniciar, estabelecer e operar uma associação nunca foram trabalhos fáceis, e nunca serão. Principalmente na década de 1980, quando uma tarefa dessa natureza era muito difícil para a economia brasileira. Confrontando uma análise dessa década com a anterior, a dos anos 1970, vê-se que havia, por parte dos analistas econômicos, uma grande aposta em um crescimento excepcional de três países: China, México e Brasil, sendo que, infelizmente, nos últimos dois casos, a previsão não se concretizou. Mesmo assim, contrariando as dificuldades, a ABAD – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores foi criada, em novembro de 1981, no hotel Maksoud Plaza, na capital paulistana, com o objetivo de promover o desenvolvimento e o aprimoramento do comércio atacadista distribuidor, bem como da cadeia de abastecimento em todo o território nacional.

Na época, o grupo incluía 52 empresários, e o seu primeiro presidente foi Antônio Carlos Alves, eleito para um mandato de três anos, que acabou se estendendo até 1990, e foi nesse período que o grupo inaugurou a primeira afiliada da ABAD, a de Pernambuco. Em entrevista realizada pela DISTRIBUIÇÃO, ele salientou a progressiva conquista do espaço pelo setor nessas décadas, com a entidade representada atualmente por quatro mil associados de todo o Brasil, os quais comercializam itens que vão desde produtos alimentícios industrializados, candies e bebidas, passando por produtos de higiene pessoal, limpeza doméstica, produtos farmacêuticos e itens de perfumaria, até artigos de papelaria e materiais de construção.

“Naqueles anos, o forte era o Atacado de Balcão, e o setor estava sendo desafiado com a chegada do Carrefour e do Makro ao Brasil trazendo novos modelos de negócios”, relembra Nelson Barrizzelli, coordenador de Projetos da FIA – Fundação Instituto de Administração e participante do Ranking do setor desde sua primeira edição, realizada juntamente com a Nielsen em 1994.  Foi um pouco antes disso, ainda na década de 1980, que o Atacado de Balcão passou a dar lugar aos modelos de Atacado Distribuidor e Atacado com Entrega. “Muitas empresas daquela época desapareceram, outras migraram gradativamente , mudando sua maneira de trabalhar, e também foi nesse período que pudemos registrar o aparecimento de embriões das grandes empresas de varejo”, conta Barrizzelli.

Trabalho necessário

A primeira sede da Associação, situada na Avenida Rebouças, na metrópole paulistana, sob a gestão de Ruy Carlos Silva, com mandato de 1990 a 1992, continua na mesma avenida, só que em outro número, com sede própria desde 1994. Nesse ano, o empresário mineiro Luiz Antônio Tonin (1992 a 1999) foi o terceiro presidente da entidade.

Foi a partir de sua gestão que a revista DISTRIBUIÇÃO se fortaleceu, veiculando informações de qualidade e evidenciando a importância do trabalho do canal indireto, lançou o Ranking do setor, em parceria com a Nielsen, que comemorou seus 27 anos neste ano de 2021 de publicação ininterrupta, e intensificou a captação e a divulgação de informações disponibilizadas durante a realização das VTIs (Viagens Técnicas Internacionais) aos Estados Unidos, Canadá, e em seguida a países europeus. Também foi nessa época que  nasceu a Central de Negócios e o Banco de Dados. “Assumi o grande desafio de trazer atacadistas para promovermos a troca de ideias relativas aos seus negócios e à geração de confiança em todos os integrantes da cadeia de abastecimento, além de trazer o conhecimento de inovações que estavam ocorrendo em campos como os da informatização e da logística, sobre as quais pouco se falava na época. É grande a minha satisfação ao constatar que o trabalho floresceu e deu frutos, que a maturidade do setor é hoje reconhecida pelos fornecedores e varejistas, e que fomos superando as dificuldades com confiança e trabalho”, enfatizou Tonin.

Dificuldades e superação

Porém, a década de 1990 não foi nada fácil para a economia brasileira. O Plano Real mudou o rumo de muitas empresas e, segundo Barrizzelli, essa foi a época mais difícil para o canal indireto. “Mas o fato é que quem sobreviveu se fortaleceu”, observou. Foi também nessa década que o modelo de autosserviço se impôs  graças às redes Atacadão (Carrefour) e Assaí (GPA – Grupo Pão de Açúcar).

Às vésperas de entrar na década seguinte, Paulo Hermínio Pennacchi foi eleito para a gestão de 1999 a 2004. Ele enfatizou a necessidade de instalação das filiadas estaduais (cujo número passou de 14 para 27), promoveu os encontros mensais da Associação e criou oportunidades para a apresentação de atividades culturais e do terceiro setor, além de também criar condições para a implantação e o desenvolvimento do networking, recurso extremamente necessário para uma articulação fecunda entre os elos da cadeia de abastecimento. Ainda durante seu mandato, a Convenção anual foi ampliada com a adesão, ao evento, tanto da Abicab – Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados como da Sweet Brazil International. “Começamos a realizar os seminários anuais, que perduram até hoje, com os executivos das filiadas, e não posso deixar de lembrar como foi útil e oportuno o fortalecimento da Central de Negócios, cuja grande importância se reflete no igualmente  aumento do número de associados. Foi uma época de muito trabalho, mas também foi muito gratificante”, destacou.

Uma vez encerrado o mandato de Paulo Pennacchi, foi a vez de Geraldo Eduardo da Silva Caixeta ocupar a presidência, em um mandato que se estendeu de 2004 a 2008. Durante sua gestão, a Associação criou o Instituto ABAD, que promove a responsabilidade social entre as empresas, e a ABAD Jovem, hoje Grupo ABAD Jovens e Sucessores, iniciativa que forma e fortalece os novos líderes, preparando-os para o comando das empresas familiares a que pertencem. “A história da ABAD se confunde com a trajetória da evolução do nosso setor. A primeira grande revolução capitaneada pela ABAD ocorreu na percepção que a sociedade tinha do segmento. A segunda foi a transformação no segmento das empresas do canal indireto. Comprar bem, vender, entregar com eficiência: a entidade está preparada para prosseguir nesse caminho de desenvolvimento e de apoio aos seus associados”, ressaltou.

Para Carlos Eduardo Severini (gestão de 2009 a 2012), os destaques de sua contribuição ao setor foram as Viagens Técnicas Internacionais, que proporcionaram aos seus participantes conhecimentos sobre formas de varejo adotadas em outros países, inovações, recursos de ponta já em uso em mercados estrangeiros, e novidades em campos como a logística, a informática e outros desenvolvimentos digitais, e a realização do Fórum Estratégico ABAD – Cadeia de Abastecimento – Cenário 2015, realizado em 2009.  Outra importante contribuição ocorreu no campo da capacitação para o desenvolvimento do profissional de vendas e a consolidação, depois do Fórum, dos Comitês Varejo Competitivo, Profissionais de Vendas e Agenda Política. “Também não posso me esquecer das ações sociais disseminadas pelo Instituto ABAD junto às filiadas, que foram muito importantes para todo o setor. A ABAD desempenhou e sempre terá um papel fundamental no atendimento às necessidades do setor, sempre atenta às mudanças pelas quais o canal indireto vem passando ao longo do tempo”, observou Severini.

Participação política

 O cearense José do Egito Frota Lopes Filho (gestão de 2013 a 2016), marcou seu período de mandato por uma participação política mais destacada e significativa, que começou com a criação da Frente Parlamentar Mista dos Agentes de Abastecimento do Pequeno e Médio Varejo, a aliança com outras entidades de classe, como a Unecs – União Nacional das Entidades do Comércio e Serviços, criada em 2014, e o incentivo ao Grupo ABAD Jovens e Sucessores. Sem se esquecer das iniciativas de defesa do meio ambiente, realizadas por meio do ABAD – Instituto ABAD. Em dezembro de 2015, a entidade foi uma das empresas que assinaram o Acordo Setorial para Logística Reversa de Embalagens Pós-Consumo. “Consegui ampliar o meu leque de conhecimentos, sinto muita gratidão pelas oportunidades que tive e até hoje compartilho os ensinamentos que recebi, além de ser igualmente grato pelas muitas pessoas com quem convivi e que não serão esquecidas”, destaca Egito.

Émerson Destro enfrentou grandes desafios durante os anos em que exerceu o seu mandato, de 2017 a 2020. Inclusive em seu último ano de mandato, muitas providências foram tomadas em resposta à pandemia mundial da covid-19, inclusive o adiamento da Convenção Anual do setor. “A intensa ação política das filiadas e a mudança do modelo de feira para um evento de conteúdo, com a participação de presidentes, CEOs, diretores-comerciais das indústrias e empresários do setor são pontos a destacar em meu mandato, além do fortalecimento da associação, em especial o ajuste de estratégias para abastecer os milhares de municípios brasileiros por causa da pandemia, e não houve desabastecimento, pois trabalhamos intensamente para atender com mais eficiência à demanda”, observou.

O atual presidente, Leonardo Miguel Severini, assumiu o seu mandato em janeiro. Saiba, ao ler a entrevista a seguir, quais são algumas das suas principais expectativas e objetivos, bem como quais são os aspectos e conquistas por ele destacadas como os elementos que caracterizam melhor a atuação da entidade, agora já plenamente madura.

40 Ações da ABAD

1 – A ABAD é fundada com 52 empresários, em 1981, na capital paulista. Antônio Carlos Alves é o seu primeiro presidente.

2 – O Enaf – Encontro Nacional de Atacadistas Distribuidores é realizado sete vezes.

3 – A primeira VTI –Viagem Técnica Internacional visita cinco países em 1987: Alemanha, Itália, França, Espanha e Portugal.

4 – A primeira Conat – Convenção do Comércio Atacadista de Produtos Industrializados é realizada em Pernambuco, em 1989.

5 – Luiz Antônio Tonin toma posse como presidente da entidade em 1992.

6 – A ABAD e a Abac – Associação Brasileira de Automação  firmam, em 1993, parceria para modernizar a área logística.

7 – A  reunião anual do setor realizada em Curitiba/PR em 1993.

8 – O primeiro Ranking ABAD/Nielsen é publicado em 1994 e seus números subsequentes passam a circular anualmente até hoje.

9 – A primeira compra conjunta de 1.500 caminhões VW dá origem à Central de Negócios em 1994.

10 – A ABAD torna-se colaboradora da NAWGA – National American Wholesale Grocer’s Association.

11 – Luiz Antônio Tonin assume um segundo mandato de três anos, de 1997 a 1999.

12 – A feira anual do setor é realizada por dois anos consecutivos no Riocentro/RJ, em 1998 e 1999.

13 – Paulo Hermínio Pennacchi é empossado como presidente da Associação, em 1999. 

14 – A ABAD passa a ter 27 filiadas estaduais.

15 – O site www.abad.com.br entra em atividade em 2000. A entidade leva um grupo à Austrália para visitas.

16 – O Grupo DEC (Distribuidores Especializados por Categorias) para o segmento de higiene pessoal e beleza é criado em 2001.

17 – As feiras anuais passam por Curitiba/PR, Salvador/BA, Brasília/DF e Recife/PE, tornando-se itinerantes.

18 – Uma nova diretoria é eleita em 2004, com Geraldo Eduardo da Silva Caixeta na presidência.

19 – A ABAD Jovem é criada em 2006, com o objetivo de envolver os herdeiros das empresas do setor.

20 – O Instituto ABAD nasce em 2006 para ajudar o setor em ações de responsabilidade social.

21 – Carlos Eduardo Severini é eleito presidente da entidade em 2009.

22 – É realizado o Fórum Estratégico ABAD Cadeia de Abastecimento – Cenário 2015.

23 – São criados os comitês dos Profissionais de Vendas, a  Agenda Política e o  Varejo Competitivo.

24 – Início do Programa de Assessoria às Filiadas e o Guia de Gestão Executiva.

25 – É criado o troféu Fornecedor Nota 10, em parceria com a Nielsen, que reconhece as indústrias parceiras.

26 – A ABAD passa a premiar  os Melhores do Ano, premiação obtida com pesquisas com os varejistas atendidos pelo canal indireto, e os Maiores do Ano segundo a Nielsen.

27 – José do Egito Frota Lopes Filho é eleito presidente em 2013.

28 – A Unecs – União Nacional das Entidades do Comércio e Serviços é criada em 2014, sendo a ABAD uma das fundadoras.

29 – Em  2015, a entidade é uma das que assinaram o Acordo Setorial para Logística Reversa de Embalagens Pós-Consumo.

30 – Émerson Destro é eleito presidente da ABAD em 2017, encerrando seu mandato em 2020.

31 – É instalado o Comitê Editorial da ABAD, redes sociais são fortalecidas, revista DISTRIBUIÇÃO passa a ter gestão interna  e lançamento da versão digital.

32 – É fortalecida a participação política junto à Unecs e a intensificação do relacionamento no Congresso Nacional (Legislativo e Executivo).

33  É lançada  campanha de valorização do pequeno varejo e  criadas cartilhas informativas, a mais recente delas contendo as medidas de prevenção contra a pandemia da covid-19.

34 – Mudança de formato d a Convenção ABAD , que originalmente era de feira, passando para um evento de conteúdo e relacionamento, em 2018

35- Valorização dos eventos graças a uma transmissão on-line e a investimentos em comunicação, com informativos, vídeos e mensagens.

35 – A ABAD inicia um projeto de marketplace da entidade, com a criação do seu Comitê  e também de Logística.

36 – Pesquisas e estudos são aperfeiçoados com a publicação do levantamento Categorias em Destaque ABAD/Nielsen desde 2018.

37 – REalização anual do Encontro do  Valor e da Convenção do GAJs – Grupo ABAD Jovens e Sucessores.

38 – O Ranking anual do setor chega a 660 participantes (ano-base 2020) com 51,2% de taxa de participação dos agentes de distribuição no mercado varejista.

39 – Leonardo Miguel Severini é eleito presidente da ABAD para o biênio 2021-2022.

40 – A ABAD passa a ter o seu aplicativo para Android e IOS.

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