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A pesquisa da Nielsen analisa o desempenho de 50 categorias de produtos no período de julho de 2019 a junho de 2020, com base nos 12 meses imediatamente anteriores

Por Adriana Bruno, Claudia Rivoiro e Rúbia Evangelinellis

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Em um mundo em que a pandemia muda a cesta de compras, as empresas têm de acompanhar de perto o resultado das vendas dos produtos para saber como potencializá-las. O estudo realizado pela Nielsen junto a 485 mil estabelecimentos tradicionais – mercearias, padarias e lojas com atendimentos em balcão – de até nove checkouts rastreia o movimento (em valor) de 154 categorias.

A cesta pesquisada inclui alimentos, bebidas, produtos de higiene e beleza, de limpeza e de bazar (veja Quadro). O levantamento apresenta variação negativa de -2,2% nas vendas, comparando-se o período de julho de 2019 a junho de 2020 com base nos 12 meses imediatamente anteriores.

Do total de categorias pesquisadas, a revista DISTRIBUIÇÃO destaca 50 grupos de produtos que respondem por 59% do total faturado e também registraram desempenho negativo, de -1,3%, mas em um patamar abaixo da média.

Entre esses grupos, estão os seguintes: café, leite, atomatados, massas, misturas para bolos, margarinas, sabonetes, água sanitária, amaciantes de roupa, industrializados de carne, fraldas e outros itens que compõem a cesta habitual de compras dos brasileiros.

Daniel Asp Souza, gerente de Atendimento ao Varejo da Nielsen, explica que o resultado reflete os diferentes movimentos de vendas apurados nos estabelecimentos pesquisados.


DANIEL ASP SOUZA, gerente de Atendimento ao Varejo da Nielsen

“O levantamento indica o faturamento das categorias em um canal híbrido porque inclui desde padarias, com consumo local, até o varejo de autosserviço de até nove checkouts. Mas o que percebemos é que, por causa do isolamento social, o consumidor buscou locais com sortimento mais diversificado para as compra de abastecimento. Por isso, há categorias que tiveram perdas e outras, crescimento.”

Em sua opinião, é importante avaliar movimento das categorias, incluindo aquelas com desempenho negativo, observando os seus segmentos de pro-dutos. Por exemplo, o grupo de biscoitos caiu, mas para o varejista a pesquisa destaca a importância de se oferecer os tipos cream cracker e recheados doces, com maior número de participações no total faturado com venda de bolachas.

TUDO NOVO

Considerando o panorama atual, Eduardo Terra, especialista em varejo, entende a importância de as empresas terem em mente que a pandemia trouxe a certeza de que vivemos um tempo de grande transformação, instabilidade e volatilidade. “A pandemia reforça as mudanças, antes já sinalizadas, de hábitos do consumidor e que se refletem em canais, categorias e marcas escolhidos”, ressalta.

Em relação ao movimento do varejo alimentar, a partir de março, Terra observa a “completa e rápida” configuração na nova maneira de o shopper comprar. “As pessoas deixaram de ir aos restaurantes, e as crianças, às es-colas; e temos a ausência de grandes eventos, como festas e celebrações. Apenas esses três aspectos já mudam a cesta de compras. O consumo da família brasileira aumentou. Muita gente aprendeu a cozinhar e até passou a cuidar da casa, e a limpá-la. Isso provocou a mudança no que compram.”

Somados a esses aspectos e com o auxílio emergencial, o varejo passou a vender mais, aumentou a margem e reduziu custos operacionais, uma vez que os clientes reduzem as idas aos pontos de venda e elevam o tíquete médio. “Tivemos o tsunami [isto é, a pandemia], que provocou mudanças de hábitos, e vendaval [auxílio emergencial], que trouxe a renda adicional. Já temos oito meses de pandemia e, provavelmente, caminhamos para pelo menos um ano nesse quadro. E todo hábito que dura todo esse tempo tem grande chance de, pelo menos em parte, permanecer.”

Segundo informou, o próximo levantamento da Nielsen, que deverá captar desempenho de vendas do segundo semestre de 2020 e o primeiro de 2021, provavelmente refletirá, e com mais precisão, o comportamento de consumo durante a pandemia.

Pedro Ribeiro, sócio da Peers Consulting, também reforça a importância de as empresas observarem os novos hábitos, que deverão, inclusive, provocar uma mudança no mapa regional de negócios. Em sua opinião, há um movimento de migração de consumidores de grandes centros urbanos para o interior, o que pode dinamizar varejo, que precisa ficar atento ao sortimento oferecido.

“Moro em São Paulo, mas estou há seis meses no interior de Minas Gerais, em uma cidade com 50 mil habitantes. É um oxigênio que chega a essa cidade. Porém, como o consumo das cidades menores mudou pouco, pois as pessoas já tinham o hábito de cozinhar, de almoçar em casa, acredito que o maior impacto será sentido nas cidades de grande porte.”

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