Seções

Nesta Edição

divisor-menu

Últimas Edições

Seções

Nesta Edição

Últimas Edições

Seções

Nesta Edição

SAZONAL

Estação esquenta também

É no inverno que a cesta de compras aumenta com o consumo de produtos como chás e cafés. Além disso, a chegada dos dias frios alavanca as vendas para as festas juninas

por Adriana Bruno

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email
Compartilhar no print
O setor de amendoim é outro que comemora a chegada das festas juninas

O calendário sazonal e de datas comemorativas é sempre um aliado do comércio, e para aproveitar todas as oportunidades que ele traz é preciso permanecer atento aos movimentos da indústria e às necessidades do varejo. Além disso, é preciso avaliar as características de cada período, se planejar e definir estratégias para alcançar os melhores resultados tanto em vendas como em satisfação do cliente varejista. 

Depois do período da Páscoa, é hora de voltar os esforços para as estações outono e inverno, isto é, para a atividade comercial que nelas se desdobra, por exemplo, as festas juninas. Épocas em que o consumo de produtos como amendoim e seus derivados, bebidas quentes e misturas semiprontas ganha espaço na cesta de compras do consumidor final. Aliás, segundo Rodrigo Maia Carvalho, diretor-comercial da Cia. Müller, as comemorações típicas e a própria queda da temperatura são sempre situações promissoras para o mercado de bebidas. “A maior parte das nossas vendas é realizada nessas estações. O quentão, bebida típica das festas juninas, é 100% apropriado para o uso da Cachaça 51”, comenta. 

O setor de amendoim é outro que comemora a chegada das festas juninas, que acontecem entre os meses de junho e julho e se espalham pelo País. O Brasil é, segundo a Abicab – Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas, o 14o maior produtor de amendoim in natura do mundo e vem aumentando sua capacidade de produção. De acordo com Ubiracy Fonseca, presidente da Abicab, a época é marcada não somente pelo aumento do consumo de produtos à base de amendoim, mas também pelo empenho das empresas na oferta de novos itens, embalagens caracterizadas e investimentos em exposição no ponto de venda. 

Segundo um estudo realizado pela Conecta e encomendado pela Abicab, cerca de 87% dos respondentes informaram que as festas juninas e julinas são as principais ocasiões do ano para o consumo do produto, com destaque para a Região Nordeste (77%). 

Mais especificamente, no período das festas juninas e julinas, os produtos mais procurados pelos consumidores são os típicos das festas, como pé de moleque, paçoca e amendoins crocantes. “No âmbito geral, e não apenas no período das festas, a pesquisa Conecta indicou que o tipo de produto mais consumido é a paçoca, seguida por amendoim japonês, amendoim sem pele e pé de moleque”, revela Fonseca. Ainda segundo ele, é importante lembrar que além dos snacks de amendoim, a versatilidade do alimento e dos produtos disponibilizados pela indústria (como amendoim salgado, torrado, sem pele) permite que a leguminosa seja utilizada em uma série de preparos e receitas dentro e fora do período de festas juninas.

Manuel Garabato, diretor de Marketing da Latam da General Mills

ALÉM DA PAÇOCA

Se o amendoim, em suas mais diferentes versões, reina nas festas juninas, bem como em todo o período do inverno, outras categorias de produtos pegam carona e aparecem igualmente com destaque nas gôndolas. “A sazonalidade apresenta grande oportunidade de incremento de vendas em algumas categorias de comidas típicas ou tradicionais associadas a essa festividade, como paçoquinha, amendoim, pé de moleque, pipoca, curau, canjiquinha ou sagu, todas elas presentes no portfólio da Yoki, além do fato de que o começo do tempo mais frio abre oportunidades para sopas e temperos”, diz Manuel Garabato, diretor de Marketing da Latam da General Mills. Ele acrescenta que a empresa atua para ajudar varejistas e distribuidores durante o período, com fornecimento de materiais e investimentos no ponto de venda para atrair os shoppers e potencializar as vendas. Garabato destaca que, dentro do portfólio trabalhado pela empresa, são criados produtos como pipoca e batata palha, e preparadas outras iguarias como purê de batata, farofa e pratos em que o amendoim entra como ingrediente, paçoca, pé de moleque, sem se esquecer da presença tradicional da canjica e da canjiquinha, e, é claro, de temperos como a canela e o cravo. “Tudo isso além dos próprios produtos de inverno, que são os sopões, a ervilha e a lentilha, e marcas que têm sua demanda aumentada, como os temperos Kitano, os chás Lin Tea e o grão de bico Yoki”, enfatiza.

Edgar Galbiatti, gerente de Marketing da CRS Brands

BEBIDAS PARA AQUECER

Assim como o verão combina com cerveja, o friozinho tem tudo a ver com bebidas destiladas e vinhos. Para Edgar Galbiatti, gerente de Marketing da CRS Brands, quanto menor for a temperatura, maior será a demanda por vinhos e destilados. “Nesta época, registramos pico nas vendas de vinhos de mesa da marca Dom Bosco. Mas também há oportunidades para produtos comemorativos em cada uma dessas datas especiais. Vemos oportunidades nas marcas Cereser e Chuva de Prata, e também teremos foco no espumante Georges Aubert para o Dia dos Namorados”, comenta. Galbiatti destaca igualmente que existe a necessidade de orientar os clientes do canal atacadista distribuidor para que eles se planejem a fim de obter um faturamento adicional em cada momento. “Além de providenciar o estoque, é preciso trabalhar o quanto antes na exposição de produtos sazonais, explorando diferentes oportunidades para inspirar os clientes varejistas”, orienta. 

Por sua vez, a Cia. Müller tem como carro-chefe do período a clássica Cachaça 51. “Ela continua sendo o nosso principal destaque, uma vez que há uma alta geral nas vendas de cachaças. Em linhas especiais, como a 51 Assinatura e a Reserva 51 – linha premium com as versões Única, Rara, Singular e Carvalho Americano – há um aumento considerável no volume das vendas, não somente para seu consumo isolado, mas também para harmonizar seu consumo com o de alimentos típicos da época”, ressalta Carvalho. Ele inclusive orienta o setor atacadista distribuidor para que mantenha a equipe treinada e atenta às oportunidades que o período abre, evitando que os clientes fiquem desabastecidos. “O momento é importante para introduzir novidades no mercado. Para produtos mais premium, é interessante que estejam mais facilmente disponíveis. Um mix de produtos de qualidade é importante para atrair um consumidor disposto a investir mais”, afirma.

O CAFÉ PEDE ESPAÇO

O Brasil representa 16% do volume total de cafés consumidos no mundo

Presente em 97% dos lares no Brasil, o café ganha ainda mais protagonismo quando as temperaturas caem, especialmente nas ocasiões em que se volta a atenção para produtos diferenciados, como os cappuccinos. 

Segundo Diogo Alves de Oliveira, Shopper Marketing e Gerenciamento por Categorias de 3corações, o café chega a ocupar 20% de participação em valor dentro da cesta de outros produtos matinais. Além disso, o Brasil representa 16% do volume total de cafés consumidos no mundo. “Apesar de ser um mercado muito maduro, as inovações não param e há muitas oportunidades de crescimento por meio de subcategorias com maior valor agregado, como as cápsulas (+9% entre 2016 e 2021) e os cafés diferenciados e especiais (+21,8%)”, relata. Segundo ele, no período de inverno as categorias de café, cappuccino e achocolatado tendem a ser mais consumidas. “Cappuccino é o segmento em que a sazonalidade mais se acentua, destacando-se frente aos demais.” O Grupo 3corações oferece produtos que, embora sejam consumidos ao longo de todo o ano, apresentam um incremento no período do inverno. A categoria de café tem maior performance e suas subcategorias, como cappuccino, café com leite e café solúvel incrementam seu volume de vendas”, afirma. 

Segundo Luís Cláudio Pinto, diretor de Vendas da JDE Brasil, detentora da marca Pilão, de acordo com a Abic – Associação Brasileira da Indústria de Café, em 2019, a procura pelo produto aumenta em cerca de 30%, e isso mostra uma boa oportunidade para aquecer as vendas. “No período do inverno, investimos na exposição da marca Pilão e no portfólio com produtos típicos para essa época do ano”, conta Luís. Ele compara afirmando que, assim como ocorre com outros segmentos da indústria em todo o Brasil, o segmento de café também tem no setor de logística e distribuição um forte aliado para que seus produtos e serviços cheguem aos grandes atacadistas, varejistas e, consequentemente, ao consumidor final.

Luís Cláudio Pinto, diretor de Vendas da JDE Brasil