Mercado segue forte

O mercado de limpeza doméstica no Brasil segue em expansão contínua, impulsionado por mudanças de comportamento do consumidor, inovação das indústrias e a crescente busca por praticidade e bem-estar dentro de casa. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (Abipla) mostram que o faturamento anual do setor industrial formal, de uso doméstico, está em R$ 38,16 bilhões (média BACEN de 2024).

É importante destacar que o mercado de limpeza doméstica é um dos mais relevantes do país. Segundo o Euromonitor, o Brasil já é o 4º maior mercado global, movimentou cerca de US$ 6,9 bilhões em 2022 e deve chegar a US$ 9,3 bilhões até 2027. “E mesmo sendo um setor maduro, vejo que ainda há espaço de crescimento, tanto pela inovação quanto por modelos de distribuição mais eficientes, especialmente quando a indústria trabalha alinhada com o atacado e o distribuidor”, diz Gabriela Pontin, VP comercial da Ypê.

Segundo Gerson Grohskopf, gerente de marketing do Segmento Limpeza da Condor, o mercado de acessórios de limpeza doméstica no Brasil movimentou cerca de R$ 10 bilhões em 2024, considerando categorias como vassouras, rodos, pás, panos, sacos de lixo, esponjas sintéticas, escovas, luvas e outros utensílios. “Em 2025, o setor segue em crescimento, com alta acumulada de 5% até outubro e previsão de fechar o ano com um incremento de quase R$ 500 milhões em relação ao ano anterior. É um mercado essencial, de grande volume e com forte presença no dia a dia dos brasileiros, o que também o torna extremamente competitivo e dinâmico”, afirma.

Nicole, diretora da Flora: pesquisas internas da empresa mostram que a frequência de limpeza no
pós-pandemia continua muito alta

Vale dizer ainda que o Brasil está entre os maiores mercados globais de produtos de limpeza. De acordo com Nicole Mandil, diretora de marketing da Flora, as pesquisas internas da empresa realizadas em 2023 e atualizadas em 2025 mostram que a frequência de limpeza no pós-pandemia continua muito alta: 90% dos consumidores afirmam limpar a casa pelo menos uma vez por semana e que o uso de produtos de limpeza exige um mix variado. “É importante destacar que parte desse crescimento em valor tem sido impulsionado pelo aumento geral de preços, como um reflexo da inflação, da alta nos custos de insumos e das oscilações cambiais. Em termos de volume, várias categorias apresentam retração, resultado de um consumidor mais racional, que reduz unidades por compra, prioriza tamanhos maiores quando há bom custo-benefício e adapta sua decisão ao orçamento mais pressionado. Esse movimento exige eficiência da indústria e dos canais de venda para garantir disponibilidade, competitividade e formatos adequados”, analisa.

CATEGORIAS EM DESTAQUE

Renato Ferreira, diretor-comercial da Gtex, conta que o mercado é vasto, que o pequeno varejo é superimportante e as principais categorias de consumo, que representam as rotinas de limpeza, incluem: Tratamento de Roupas (lavanderia): lava roupas (em pó e líquido) e amaciantes (diluídos e concentrados); Desinfecção e Higiene: produtos como desinfetantes, água sanitária e álcool, cruciais para a eliminação de germes e bactérias, sendo o pilar da segurança e saúde doméstica; Limpeza de Louças: principalmente o detergente e pastas de limpeza, que são itens de alta frequência de compra; Limpeza de Superfícies: abrange limpadores multiuso, desengordurantes e produtos específicos para pisos, vidros e móveis.

“O pequeno e médio varejo (supermercados de bairro, mercearias e atacados de proximidade) possui uma importância fundamental e insubstituível, funcionando como o motor de capilaridade do mercado, além de agregar características como proximidade e conveniência, alto giro local e inclusão de marcas”, comenta.

RENATO FERREIRA,diretor-comercial da Gtex

Já Grohskopf afirma que, entre as principais categorias de acessórios de limpeza doméstica, destacam-se vassouras, panos, esponjas sintéticas, rodos, pás de lixo e sacos de lixo. “São itens que compõem a base da rotina de limpeza da maioria dos lares brasileiros”, completa.

Para Gabriela, ao olhar para o mercado de limpeza percebe-se que há algumas categorias que realmente puxam o desempenho do setor. “Os detergentes, por exemplo, seguem liderem em recorrência de compra. Os desinfetantes e sanitizantes, incluindo água sanitária, também continuam fortes. Outro grupo importante são os produtos de cuidado com roupas, como sabão em pó, sabão líquido e amaciante, que representam uma fatia significativa do segmento de home-care. Além deles, os multiusos, pela versatilidade, e os limpadores mais específicos, como os de vidro, piso e banheiro, completam esse mix que o consumidor busca no dia a dia”, diz.

TENDÊNCIAS

Gerson Grohskopf afirma que o consumidor busca cada vez mais praticidade, eficiência e responsabilidade ambiental. As principais tendências passam por soluções sustentáveis, como vassouras feitas com PET reciclado, panos e esponjas biodegradáveis e produtos com ação antibacteriana, além de itens multifuncionais, ergonômicos e com melhor desempenho. “Também vemos crescimento na busca por ferramentas que otimizem o tempo e o espaço, como mops e acessórios compactos, além de linhas segmentadas por tipo de superfície ou uso”, pontua.

Grohskopf, da Condor: o consumidor busca cada vez mais praticidade

O fato é que as pessoas buscam soluções que reduzam tempo, etapas e esforço, e isso tem ampliado a demanda por produtos multifuncionais e fórmulas mais inteligentes.

“Nossas pesquisas mostram que o consumidor dá grande atenção ao rendimento: cerca de 60% afirmam preferir produtos concentrados e opções em refil, tanto pela economia quanto pela percepção de que o produto dura mais e entrega maior eficiência no dia a dia. Além disso, cresce a procura por itens com ação antibacteriana e fórmulas testadas dermatologicamente — um comportamento fortemente influenciado pelos hábitos reforçados no pós-pandemia”, finaliza Nicole Mandil.

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