Em meio a inflação persistente, juros elevados e maior endividamento das famílias, o varejo brasileiro enfrenta um cenário desafiador. Em tempos de consumo retraído, toda perda operacional — seja por furto, falhas logísticas ou falhas de planejamento — torna-se crítica. A eficiência operacional é, mais do que nunca, vital para a sustentabilidade do setor.
A 8ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas no Varejo Brasileiro, conduzida pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) em parceria com a KPMG, revela dados preocupantes. Três segmentos se destacam negativamente:
- O atacarejo, com ampliação de serviços, teve alta de 48,10% nas perdas totais e 48,82% nos furtos
- O setor farma, impulsionado por furtos de medicamentos de alto valor como Ozempic e similares, teve aumento de 38,93% nas perdas totais e 29,02% nos furtos
- O setor supermercadista teve alta de 11,53% nas perdas totais, mas o furto é o grande vilão com 31,19%, principalmente por causa de processos ineficientes
Mesmo com a média de perdas no varejo tendo caído para 1,51% em 2024, isso ainda representa cerca de R$ 36,5 bilhões em prejuízos.
O varejo alimentar – que inclui hipermercados, supermercados, atacarejos, lojas de conveniência e vizinhança — acendeu um sinal de alerta: o índice médio de perdas saltou de 1,91% para 2,39% no último ano, ou seja, um crescimento de 25% de um ano para o outro. Segundo Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe, a elevação dos furtos, fraudes em caixas registradoras e processos ineficientes estão entre os principais motivos para esse avanço.
Por outro lado, sete setores apresentaram queda no índice de perdas, entre eles:
- Calçados (-23,63%)
- Moda (-81,64%)
- Perfumarias (-56,65%)
- Eletromóveis (-8.04%)
- Materiais de construção (-8,04%)
- Magazines nacionais e regionais também tiveram reduções relevantes (-20% e -43,38% respectivamente)
“O varejo está em constante transformação e por isso, a área de prevenção de perdas tem ganhado cada vez mais espaço, de forma ampliada e transversal. A adoção de tecnologias, utilização mais frequente de ferramentas de IA, o treinamento das equipes e o uso de estratégias inteligentes são decisivos para mitigar riscos e reduzir impactos financeiros”, destaca Santos.