O setor de abastecimento brasileiro alcançou um importante avanço com a sanção da Lei nº 15.357/2026, que autoriza a instalação de farmácias completas em supermercados, respeitando integralmente as normas sanitárias e a presença obrigatória de farmacêutico.
Mais do que uma mudança regulatória, trata-se de um movimento com impacto direto sobre toda a cadeia de abastecimento — e, em especial, sobre o papel estratégico do atacadista distribuidor.
A partir dessa nova realidade, abre-se uma clara oportunidade de expansão de negócios. O varejo alimentar passará a demandar um portfólio estruturado de produtos farmacêuticos, exigindo dos distribuidores preparação operacional, ampliação de mix e adequação dos seus Centros de Distribuição (CDs) para atender com eficiência, segurança e conformidade regulatória esse novo mercado.
Este é um momento de atenção e planejamento. Estar preparado para atender essa nova demanda será determinante para capturar valor e consolidar posicionamento competitivo junto aos clientes do varejo.
É importante destacar que o objetivo inicial do setor era mais amplo: a autorização para a venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) diretamente nos supermercados. Essa pauta, defendida de forma consistente ao longo dos últimos anos, representaria uma abertura ainda mais significativa de mercado e ganhos comerciais imediatos para toda a cadeia.
No entanto, ao longo do processo de construção institucional — em parceria com a ABRAS e a ABAAS — compreendemos a necessidade de avançar de forma responsável, considerando as preocupações da Anvisa quanto à segurança sanitária. A exigência de farmácias completas, com a presença de farmacêutico, foi o caminho possível para viabilizar esse primeiro passo.
Temos convicção de que essa conquista estabelece as bases para evoluções futuras, inclusive para a ampliação do escopo de comercialização de MIPs no varejo alimentar.
A atuação conjunta das entidades reforça a maturidade e a capacidade do setor de abastecimento de liderar transformações estruturais no país, sempre com responsabilidade, diálogo e foco no consumidor.
Seguiremos trabalhando para ampliar oportunidades, fortalecer o ambiente de negócios e assegurar que o atacado distribuidor continue sendo protagonista no desenvolvimento do Brasil.
Leonardo Miguel Severini
Presidente da ABAD